Eleição nos EUA pode definir o futuro de Trump nesta terça-feira
RESUMO: À véspera das eleições nos EUA, 210 milhões de eleitores vão às urnas para escolher a Câmara (435 cadeiras) e 35 dos 100 senadores, além de governadores em 36 estados, com reflexos na política interna e nas relações com o Brasil.
LIDE: Os EUA chegam ao dia de votação com cerca de 210 milhões de eleitores aptos a votar na próxima terça-feira para definir o controle da Câmara e do Senado, além de governadores em 36 estados, num pleito que pode reconfigurar a agenda de Donald Trump e influenciar o relacionamento com o Brasil.


Contexto político — o pleito envolve uma disputa acirrada entre republicanos e democratas, com a perspectiva de que a conquista da maioria democrata possa impor entraves à agenda de Washington e gerar impactos em parcerias internacionais, incluindo o Brasil.
Economia e inflação — pesquisas indicam que as democratas contam com vantagem em razão do aumento do custo de vida; analistas destacam que a inflação pode ter sido alimentada pela tensão internacional e pela elevação de preços de combustíveis, especialmente após restrições de navegação no Estreito de Hormuz.
Composição do Congresso — embora as duas Casas estejam sob controle republicano por margem estreita, a eleição é vista como determinante para o ritmo da agenda presidencial, com o Senado exercendo poder sobre nomeações de autoridades e juízes.
Promessas e campanha — em meio ao cenário competitivo, Trump anunciou uma promessa de US$ 5 mil para cada adulto caso os republicanos mantenham a maioria, além de percorrer o país para mobilizar apoiadores nas últimas semanas.
Paulo Abraão, diretor-executivo da Brazil Office Alliance, afirma que o resultado definirá o controle do Legislativo sobre o presidente; com o Senado sob influência republicana, haveria mais chance de confirmar ou rejeitar nomeações. “Se os republicanos garantirem as duas Casas, Trump terá condições políticas mais favoráveis para avançar sua agenda”, destacou o executivo.
Segurança eleitoral — Trump tem questionado a segurança do sistema eleitoral. Em 2020, ao perder para Joe Biden, ele acusou fraude sem apresentar provas; recentemente, declarou que respeitaria o resultado “se as eleições forem honestas”.
Política externa
Política externa — especialistas avaliam que uma vitória democrata pode influenciar a condução da política externa, especialmente no que diz respeito à posição dos EUA sobre o Irã; a presidência ainda possui margem de manobra ampla, mesmo sem maioria plena no Congresso.
“Se a oposição conquistar uma das Casas, poderá ampliar investigações, exigir explicações do governo e dificultar sua agenda legislativa. O controle da Câmara é particularmente relevante para a fiscalização”, explicou à Agência Brasil.
Repercussão para o Brasil
Repercussão para o Brasil — caso haja fragilidade no respaldo político de Trump, as relações entre EUA e Brasil — marcadas por tarifas e atritos com o governo Lula — podem sentir impactos na cooperação e nas agendas comerciais.
O professor de direito Paulo Abraão afirmou que parlamentares democratas podem ampliar a investigação sobre a atuação da família Bolsonaro nos EUA, buscando esclarecer se instrumentos do governo americano foram usados para favorecer um grupo político estrangeiro e em quais condições.
A Meta, dona do Facebook, Instagram e WhatsApp, seria alvo de apuração para verificar acusações de favorecer o candidato Flávio Bolsonaro durante as eleições brasileiras, segundo a avaliação citada.
A redução do alcance das redes associadas ao candidato Lula foi apresentada pela big tech como “problemas técnicos”.
O professor de direito afirmou que uma mudança no controle do Congresso poderia transformar cobranças, hoje feitas em cartas, em investigações com maior capacidade de produzir provas e exigir respostas, lembrando que tal passo não é automático e depende das prioridades da nova maioria, podendo enfrentar resistência e disputas judiciais.
“Um Congresso mais independente pode aumentar os custos políticos, fiscalizar decisões e disputar recursos, sem comandar a diplomacia”, destacou.
Nas últimas semanas, democratas têm questionado a Casa Branca por meio de cartas, desde a atuação da Meta nas eleições brasileiras até a decisão de revogar o visto da embaixadora brasileira nos EUA, Maria Luiza Ribeiro Viotti.
Na última quinta-feira (30), os democratas cobraram explicações sobre o envolvimento da Casa Branca na fuga do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) do Brasil, apesar da Justiça brasileira ter proibido a saída do parlamentar. Flávio responde a processos por lavagem de dinheiro, corrupção e evasão de divisas.






