Ao invés de rombo a previdência pode ter é sobra de dinheiro

Escrito por: Diógenes Cunha

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A proposta de reforma da previdência, discutida pelo governo de Michel Temer, pode estar ocultando informações importantes, com o intuito de distorcer os fatos, claro, em desfavor do povo brasileiro.

Segundo auditores fiscais essa é uma manobra para esconder a verdade. Nas contas do governo, de propósito, não é contabilizada a arrecadação da Seguridade Social, que inclui as áreas de Saúde, Assistência e Previdência, além de não divulgar que parte do dinheiro arrecadado foi utilizado em pagamento da dívida pública (juros pagos aos especuladores e grandes bancos).

Dados apresentados pela Anfip (Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil) mostram, ao contrário do que diz o governo de Temer, sucessivos superávits, ano após ano: saldo positivo 2006 (R$ 59,9 bilhões); 2007 (R$ 72,6 bilhões), 2008 (R$ 64,3 bilhões), 2009 (R$ 32,7 bilhões), 2010(R$ 53,8 bilhões), 2001 (R$ 75,7 bilhões), 2012 (R$ 82,7 bilhões), 2013 (R$ 76,2 bilhões), 2014 (R$ 53,9 bilhões).

Em 2015, segundo a Anfip, o investimento nos programas da Seguridade Social (aposentadorias urbanas e rurais, benefícios sociais e despesas do Ministério da Saúde, dentre outros) foi de R$ 631,1 bilhões, enquanto as receitas da Seguridade foram de R$ 707,1 bilhões, gerando saldo positivo de R$ 24 bilhões.

“Em dez anos, entre 2005 e 2015, houve uma sobra de R$ 658 bilhões. Este dinheiro foi usado em outras áreas e também para pagar juros da dívida pública, cerca de 42% do total, mas isto o governo não diz”, afirma o advogado Guillerme Portanova, diretor jurídico da Cobap (Confederação Brasileira dos Aposentados e Pensionistas do Brasil).

O déficit da Previdência (arrecadação menor do que as despesas) é o ponto mais forte dos argumentos apresentados pelo atual governo para endurecer as regras e dificultar o acesso dos brasileiros à aposentadoria, ficando cada vez mais distante a expectativa de parar de trabalhar, durante a velhice.

O aumento da idade mínima para 65 anos para homens e mulheres, o pagamento de valor a menor do que um salário, em alguns casos, dentre outros pontos polêmicos podem deflagrar uma revolta em todo o país.

O povo nas ruas derrubou dois presidentes (Collor e Dilma) e pode colocar à prêmio o atual presidente Temer, que insiste em endurecer a vida dos brasileiros.

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