Aliança para palanque único de Lula e Kalil deve ter vice do PT em Minas

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 As articulações para concretizar a aliança entre Alexandre Kalil (PSD) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em Minas Gerais devem levar um representante petista ao posto de candidato a vice-governador. Neste momento, segundo apurou o Estado de Minas, o deputado estadual André Quintão é o favorito a ser o companheiro de Kalil na chapa. Reginaldo Lopes, que deve abandonar a pré-candidatura ao Senado a fim de viabilizar a aliança, também é cotado. Ele disse, entretanto, que o martelo não está batido sobre desistência. �??Não há nada resolvido.  Lula me pediu para coordenar o processo. A partir dessa convocação, vou começar as conversas�?�, afirmou.

 

Ontem, Kalil se reuniu com parlamentares petistas para debater o assunto. Antes, o nome preferido dele para ser seu vice-candidato era Agostinho Patrus (PSD), presidente da Assembleia Legislativa de Minas Gerais, que também participou do encontro. Interlocutores apontaram à reportagem que, diante das ameaças de a candidatura ao governo nem sequer sair do papel por causa dos impasses internos nos quadros pessedistas, Agostinho não estará na chapa. O Estado de Minas apurou que ele já avisou à bancada estadual petista que abre mão de ser o vice de Kali

 

A costura para garantir o palanque Lula-Kalil se intensificou no fim de semana passado, com reuniões em São Paulo (SP). O presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, teve papel importante no desenlace dos nós que travavam as negociações. Deputados pessedistas que defendiam apoio ao presidente Jair Bolsonaro (PL) devem ter liberdade para seguir suas crenças

 

Com a saída de Agostinho, a vaga de vice, então, passaria a ser ocupada pelo PT. �? é aí que André Quintão, líder da coalizão de oposição a Romeu Zema (Novo) na Assembleia, entra nas negociações. O fato de ele ser benquisto por Kalil pode pesar a favor, como também a possibilidade de Reginaldo Lopes não ter interesse no cargo de vice.

 

Quintão é do grupo político do deputado federal petista Patrus Ananias. Essa ala do partido teve certo espaço na prefeitura durante os cinco anos de Kalil. No início de seu primeiro mandato, o gestor de Belo Horizonte escolheu a assistente social Maíra Colares para a Secretaria de Assistência Social, Segurança Alimentar e Cidadania, após Patrus recusar o convite.

 

“Falei [ao Patrus]: ‘Então, me arruma uma assistente social em que você confie. Disso não entendo nada e preciso ajeitar a tragédia que estou vendo acontecer'”, disse ele, em 2020, ao programa �??Roda Viva�?�, da TV Cultura.

 

Desde o início deste ano, a dificuldade para formalização da aliança entre Lula e Kalil estava no impasse sobre a disputa pelo Senado Federal. Enquanto os petistas trabalhavam para construir a candidatura de Reginaldo Lopes, o PSD deixava explícito que Alexandre Silveira concorrerá à reeleição. Em um cenário no qual Kalil e Agostinho seriam os nomes ao governo, com Alexandre na disputa pelo Senado, a chapa teria apenas nomes pessedistas. Por isso, o PT reivindicava espaço formal na coalizão.

 

Na semana passada, quando Lula esteve em Minas Gerais, Reginaldo Lopes fazia questão de afirmar, nos bastidores, que aceitaria cenário com dois postulantes a senador. Houve, inclusive, consultas à Justiça Eleitoral sobre o tema. A ideia de manter Silveira e entregar a vice-candidatura ao governo aos petistas contempla o espaço pedido pelos partidários de Lula.

 

VAGA PARA 

O SENADO

 

Na segunda-feira, a presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann, deputada federal pelo Paraná, afirmou que Reginaldo Lopes será o coordenador da campanha presidencial de Lula em Minas. “Importante conversa hoje [segunda-feira] com Lula e com o companheiro Reginaldo Lopes, que vai conduzir a construção do palanque Lula-Kalil e coordenar a campanha de Lula e [Geraldo] Alckmin no estado. Juntos para vencer em Minas e no Brasil”, escreveu a dirigente, no Twitter

 

A fala de Gleisi Hoffmann sobre a cessão do posto de coordenador da campanha a Reginaldo tem sido interpretada por petistas como o recado que sepulta as chances de ele concorrer ao Senado. Ele, porém, adotou tom ameno ao tratar do tema.

 

“Recebi a missão de Lula para coordenar sua campanha e de Geraldo Alckmin em Minas. Continuamos os diálogos com o PSD e nossos aliados no projeto pela retomada da democracia e reconstrução do Brasil, que só é possível com Lula presidente”, afirmou ele na segunda-feira.

 

Em entrevista à sucursal da Zona da Mata e do Campo das Vertentes da TV Alterosa, na segunda-feira, Kalil disse que as tratativas com o PT estavam “andando”. “O presidente Lula anunciou para todo mundo que o candidato que ele quer é o Kalil. Eu já declarei, inclusive, o voto dele. Lula e Kalil não têm problemas. Vamos marchar juntos. Não vai haver o menor problema.”

 

Reginaldo Lopes vai

coordenar campanha

 

Com o avanço das negociações para uma aliança entre Alexandre Kalil (PSD) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT), entra em campo o deputado federal petista Reginaldo Lopes. Ele foi indicado pelo presidenciável de seu partido para conduzir as tratativas e finalizar as conversas sobre a união aos pes- sedistas. Ontem, Reginaldo disse que, até o momento, não foi consultado sobre a possibilidade de desistir de tentar ser senador da República para facilitar a aliança com os pessedistas.

 

�??Vamos tentar um desenho [para o palanque]. A priori, ninguém pediu para eu retirar minha candidatura”, afirmou ele ao Estado de Minas, ontem. As discussões sobre o Senado impediam evolução nas conversas entre PT e PSD. Isso porque, apesar de os partidários de Lula defenderem Reginaldo, o partido de Kalil quer trabalhar pela reeleição de Alexandre Silveira. Veio, então, a proposta para os petistas ficarem com o posto de vice, na vaga de Agostinho Patrus (PSD), presidente da Assembleia de Minas.

 

“Não há nada resolvido. O que tem de novo é que o PSD ofereceu ao PT a candidatura de vice. Lula me chamou e pediu para coordenar o processo, fazer o desenho da chapa. A partir dessa convocação, vou começar as conversas. Não há nada formatado”, assegurou Reginaldo.

 

Como Reginaldo Lopes ainda não retirou sua pré-candidatura ao Senado, há quem defenda palanque duplo de senadores, com o deputado do PT e Alexandre Silveira na disputa. Há, inclusive, consultas à Justiça Eleitoral sobre a viabilidade de construção do tipo. Segundo Reginaldo, os detalhes do cordão em torno de Lula e Kalil devem ser definidos em duas semanas.

 

Outros partidos já fizeram consulta ao TSE também sobre palanque duplo para o Senado. A decisão estão na mãos do ministro Ricardo Lewandowski, que ainda não marcou data para tomar uma decisão.

 

A despeito de Reginaldo assegurar que não recebeu nenhum pedido para deixar a pré-candidatura, interlocutores ouvidos pela reportagem apontaram a fala de Gleisi como sinal de que o PT pode não ter nome próprio ao Senado. Na semana passada, antes de haver avanço nas articulações nacionais, a Executiva estadual do PT chegou a convocar uma reunião para reafirmar a pré-candidatura do parlamentar.

 

PETISTA COBROU

ESFOR�?OS 

 

Na semana passada, Lula deu recado à cúpula mineira do partido pedindo a continuidade dos esforços para atrair Kalil para o seu palanque. A diretriz foi passada durante reunião a portas fechadas com deputados, em um hotel de BH. O ex-prefeito, embora convidado a comparecer a um ato do presidenciável com sua militância, não participou. “Voltarei muitas vezes a Minas Gerais. Temos que fazer muitas conversas aqui. Há muitas coisas a serem acertadas. Vamos ter que construir algumas alianças no estado”, projetou Lula.

 

Antes das reuniões em São Paulo, o PT de Minas trabalhava em duas frentes: além de manter o diálogo em prol de Kalil, também dava forma à candidatura de Reginaldo ao Senado. Prova disso é que, na sexta-feira passada, dirigentes fizeram reunião para reafirmar o desejo de ter nome próprio na corrida pela vaga no Senado.

 

O encontro serviu, inclusive, para, naquele momento, dar recado a dissidentes que já defendiam abertamente o apoio a Silveira. Um dos partidários da ideia é o deputado estadual Virgílio Guimarães. “Estamos na discussão com a coligação com o PSD. Eu apoio a ideia da coligação. O Kalil seria o candidato. O PT terá de fazer a opção, mas a maioria da bancada estadual e federal quer a coligação. Eu apoio o Kalil para o governo e o Silveira para o Senado”, afirmou Virgílio, há quatro dias.

 

Em abril, a bancada federal do PSD mineiro se reuniu com o senador Alexandre Silveira, presidente do partido em Minas, para dizer que, além da re- eleição dele ao Senado, desejavam cerrar fileiras pela vitória de Bolsonaro. Mesmo com o alinhamento de Kalil a Lula, o grupo deve ter liberdade para apoiar o presidente da República. O desejo de estar com Bolsonaro é compartilhado por Diego Andrade, Subtenente Gonzaga, Stefano Aguiar e Misael Varella, os quatro parlamentares federais do partido em Minas. 

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