Desenrola 2.0: alto endividamento persiste, efeitos sobre a renda são graduais
PALAVRAS-CHAVE: Desenrola 2.0, endividamento, crédito, CNC, Serasa, BC, Pronampe, Procred
META DESCRIÇÃO: Desenrola 2.0 registra alto volume de crédito, renegociações expressivas e expansão para empresas, mas impactos no endividamento permanecem graduais, aponta levantamento.
Desenrola 2.0, lançado em maio, ainda não mostrou efeitos significativos sobre o endividamento das famílias, apesar do intenso volume de renegociações. Dados compilados pelo portal Metrópoles, parceiro do PrimeiroJornal, indicam que o programa opera com números expressivos, mas com impacto limitado nos indicadores de inadimplência até o momento.
Segundo a apuração, o Desenrola 2.0 já registrou R$ 44,7 bilhões em crédito e envolve cerca de 3,5 milhões de operações. O montante originalmente contratado para renegociação era de R$ 20,9 bilhões, porém caiu para R$ 3,7 bilhões após as renegociações, sinalizando descontos substanciais sob as regras do programa.
Entre as famílias, a principal modalidade de endividamento continua sendo o cartão de crédito, citado por 84,7% dos consumidores, acima de crediários de loja (16%) e crédito pessoal (13,2%).
Para o âmbito empresarial, o Desenrola 2.0 avançou com linhas como Pronampe, que totalizou R$ 21,7 bilhões em crédito, e Procred, com R$ 1,5 bilhão. Operações com garantia do FGTS chegaram a 97 mil contratos, somando R$ 55,5 milhões.
O programa também prevê uso de garantias, como recursos do FGTS, para viabilizar crédito com juros menores, e combina renegociação com condições de pagamento mais flexíveis, com objetivo de reduzir inadimplência e estimular a atividade econômica. No entanto, o governo aponta que os efeitos podem surgir gradualmente ao longo do tempo.
Quem pode participar do programa
- Pessoas físicas com renda mensal de até 5 salários mínimos podem aderir;
- Consumidores com dívidas de cartão de crédito, cheque especial ou crédito pessoal estão incluídos;
- Os débitos precisam ter sido contratados até 31 de janeiro de 2026 e devem estar em atraso entre 91 dias e 2 anos;
- O programa tem duração prevista de 90 dias a partir de 4 de maio, com descontos de até 90%, juros de até 1,99% ao mês e parcelamento em até 48 meses.
Banco Central alerta para o endividamento elevado. Em nota do Comitê de Estabilidade Financeira (Comef) divulgada no início de julho, o BC ressaltou que o comprometimento de renda com dívidas permanece alto, com maior uso de crédito rotativo e outras modalidades mais onerosas.
“O endividamento e o comprometimento de renda das famílias estão historicamente elevados e seguiram aumentando. O contínuo aumento da participação de modalidades mais onerosas na composição da dívida deve continuar impactando o comprometimento de renda.”
Além disso, dados da CNC e do Serasa indicam que, em junho, 81,6% das famílias estavam endividadas e 29,9% tinham contas em atraso; o Serasa registrou 83,7 milhões de negativados, o maior contingente da série histórica. No conjunto de dívidas, 27,2% são ligadas a bancos e cartões, 21,3% a contas básicas e 19,6% a dívidas financeiras.
Fonte: informações divulgadas pelo Metrópoles, parceiro do PrimeiroJornal.
