Debate morno mostra que candidatos têm muito o que melhorar para a campanha

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As equipes de Jerônimo Rodrigues (PT) e João Roma (PL) devem intensificar o trabalho de treinamento de ambos para a campanha eleitoral, que se inicia no próximo dia 16 oficialmente. No debate da Band Bahia, ficou visível que as estratégias discursivas de ambos precisam melhorar. Fora a ausência de ACM Neto (União), explorada até em momentos improváveis, ambos sequer conseguiram repetir a dicotomia entre Luiz Inácio Lula da Silva e Jair Bolsonaro, como poderia ser feito.

 

O nervosismo era latente – e esperado. Porém Jerônimo errou nas abordagens a Roma e acabou ficando acuado com as respostas. O próprio Roma também não aproveitou as oportunidades que teve e repetiu, quase monocordicamente, o Auxílio Brasil e os feitos de Bolsonaro – presentes, mas superlativizados pelo aliado. O petista, inclusive, não deu sorte. Até mesmo Kleber Rosa (PSOL), que estaria ali como coadjuvante, acabou ocupando lacunas deixadas por Jerônimo nas perguntas e nas respostas. E olha que, nos instantes de confronto direto, o petista escolheu Roma.

 

O debate foi fraco, não pela ausência do principal alvo a se batido, o ex-prefeito de Salvador. Foi fraco pelas perdas de oportunidades de todos os candidatos para fazerem exatamente o que se propuseram a fazer, o utópico discurso de que o debate é relevante para apresentar propostas. Quais propostas foi possível fixar após preciosos minutos na televisão aberta? Se já seria difícil imaginar o programa como um ponto de guinada para votos num domingo à noite, houve um quê de monotonia nas participações. Deu sono, mas as obrigações profissionais nos obrigam a assistir todo o debate.

 

Apesar das falhas estratégicas, Jerônimo e Roma cumpriram parte das suas obrigações. O petista defendeu o legado de Lula e dos governos de Jaques Wagner e Rui Costa (especialmente do padrinho político dele). Roma defendeu com unhas e dentes Bolsonaro e a forma como o presidente conduz o Brasil. Foram os papeis básicos pelos quais acabaram alçados à condição de candidatos ao governo da Bahia. ?? pouco para quem pretende governar a Bahia a partir de primeiro de janeiro. Pontos essenciais para a discussão como saúde, educação e segurança pública ficaram an passant e foram explorados de maneira muito simplória. Kleber Rosa foi quem mais se aproximou de tocar dedos nas feridas, mas os adversários preferiram se esquivar.

 

Como o debate aconteceu logo no comecinho da corrida oficial pelo Palácio de Ondina, ainda dá tempo de ajustar as eventuais falhas para os próximos encontros – e para lembrar que a disputa é pelo governo e não pela prefeitura de Salvador. O programa é um ambiente altamente limitado e controlado, mas é uma espécie de prelúdio de como os candidatos se comportam em entrevistas, comícios e falas públicas. Boa sorte às equipes! Tem muito trabalho pela frente!

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