MP pede inquérito policial para investigar postagem racista em Feira de Santana

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O Ministério Público estadual solicitou, na quinta-feira (22), a instauração de um inquérito policial para investigar o crime de racismo qualificado envolvendo dois ex-alunos do curso de direito do Centro Universitário Nobre (Unifan), em Feira de Santana. Na última terça-feira (20), a estudante que publicou ofensas racistas em suas redes sociais foi expulsa da instituição. Na quinta, o aluno que comentou e riu na publicação também foi expulso.

O MP informou ainda que acompanhará as investigações e adotará todas as medidas judiciais cabíveis ao caso. No início da semana, a instituição informou através de nota que o caso será apurado para que sejam tomadas as medidas administrativas e legais cabíveis.

Em nota, publicada nas redes sociais da faculdade, a Unifan diz que “repudia toda forma de preconceito e violência contra o próximo, sendo que, nesta terça-feira, tomou conhecimento de postagens realizadas por um de nossos discentes, em sua rede social, que não condizem com os valores e políticas de nossa Instituição”. 

A Comissão de Igualdade Racial da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/Ba), subseção Feira de Santana, também se manifestou em repúdio “aos atos de racismo e preconceito de classe socioeconômica”.

“No ano em que a Lei de Cotas (Lei 12.711/2012) completa 10 anos, é triste e repugnante nos depararmos com atitudes como essa. Cumpre lembrar que as políticas afirmativas de acesso à educação superior (Lei de Cotas, Prouni e Fies) são um importante instrumento de reparação da desigualdade que nasceu com a colonização do Brasil. A estrutura econômica da sociedade brasileira é racialmente construída, e o acesso à educação superior é uma das formas de transformar essa estrutura”, declarou em nota.

O caso
Uma estudante, que não teve o nome divulgado, foi expulsa do Centro Universitário Nobre, em Feira de Santana, depois que usou seu perfil no Twitter para fazer comentários racistas, gerando indignação entre alunos e professores da faculdade particular.

Em uma das mensagens postadas na rede social, a estudante diz: “Odeio gente preta”. Em outra publicação ela escreve: “Odeio Lula porque ele inventou o Fies e colocou um monte de desgraça na minha faculdade”. As mensagens viralizaram e chegaram até a direção da instituição.

Estudantes se reuniram na frente da faculdade, protestaram contra o racismo e pediram pela expulsão da aluna responsável pelas mensagens. Logo depois, reunidos dentro da instituição o pró-reitor Gustavo Checcucci informou sobre a saída da estudante.

“A gente teve conhecimento hoje pela manhã deste fato. O conselho se reuniu pela manhã e pela tarde para discutir sobre o que estava acontecendo. Já foram tomadas as devidas providências e a aluna não faz mais parte da instituição”, disse sob aplausos de centenas de alunos. Vídeos mostram o momento em que a plateia comemora a punição.

O aluno que comentou e riu na publicação racista em uma rede social também foi expulso do Centro Universitário Nobre. A informação foi confirmada pela assessoria da instituição na quinta-feira (22). “Abrimos o processo e o mesmo não faz mais parte da IES. Ambos não são mais nossos alunos”, declarou assessoria.

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