As lições de Lula sobre como tratar um opositor

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Candidato à presidência da República pela sexta vez, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) é a maior representação do “ser político” do Brasil. Por mais que o clima esteja acirrado – e está -, o petista segue tratando adversários políticos como adversários. Tanto que, findado o primeiro turno das eleições de 2022, o apoio de Simone Tebet (MDB) e Ciro Gomes (PDT) foi possível, ainda que eles tenham trocado farpas entre si. Para Lula, quem está do lado oposto não é inimigo, uma lição que boa parte do sistema político ainda precisa aprender.

 

Na Bahia, a chance está dada para que haja esse tratamento. O ex-prefeito de Salvador, ACM Neto (União), saiu das urnas muito menor do que a expectativa do entorno dele. As chances de vitória de Jerônimo Rodrigues (PT) são grandes e o apoio de Lula, fundamental para o desempenho da candidatura petista ao governo da Bahia, continuará tendo o mesmo peso. Faltando relativamente pouco para uma vitória em primeiro turno, o tom da campanha haveria de ser menos intenso, mas não é o que se vê por enquanto. Os petistas seguem no esforço para jogar ACM Neto como o representante de Jair Bolsonaro (PL) na Bahia.

 

Aliado ao empenho de João Roma em se traduzir como o antipetista da Bahia – o ex-ministro planeja se firmar como alternativa de oposição e retirar o protagonismo de ACM Neto nessa condição -, fica difícil para que o candidato do União Brasil não acabe pendendo para o lado bolsonarista da moeda na disputa pelo Planalto. O ex-prefeito sabe que apenas perde na associação com o presidente, razão pela qual construiu o entendimento para que o próprio partido ficasse neutro – ainda que a neutralidade seja impossível e que a maioria dos quadros prefiram Bolsonaro ao retorno de Lula ao poder.

 

No entanto, o cenário é extremamente complicado para o avanço de Lula e do PT em estados como São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, quando os dois últimos não terão mais um turno e, entre os paulistas, Tarcísio de Freitas (Republicanos) saiu na frente contra Fernando Haddad (PT). A principal alternativa seria tentar ampliar a vantagem em estados “lulistas”, como é o caso da Bahia. E aí entra a diferença entre Lula e seus correligionários locais. O ex-presidente consegue enxergar ACM Neto como um adversário e o respeita como tal. Já os aliados dele optam por um tom mais virulento, quase que obrigando o ex-prefeito a ingressar na campanha de Bolsonaro.

 

Se o objetivo principal é ampliar a vantagem já grande de Lula na Bahia, um ACM Neto pouco empenhado na campanha de Bolsonaro é meio caminho andado para que o palanque do presidente não acabe fortalecido por essas bandas. Vide o desempenho pífio de Roma na primeira etapa da disputa. Tratar o ex-prefeito como adversário ao invés de inimigo é algo recomendado dentro da democracia. E só traria benefícios a Lula.

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