Chefe de delegacia onde policial matou colegas relata ameaças e diz que andava de colete

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Com a voz embargada, e ainda sem acreditar na tragédia, Adriano Zeferino de Vasconcelos, delegado regional de Camocim (CE), falou com exclusividade ao Metrópoles.

Há menos de 3 meses à frente da delegacia da cidade cearense, a 353 km da capital Fortaleza, Vasconcelos já havia recebido ameaças veladas do suspeito de matar quatro colegas de trabalho, três deles, enquanto dormiam. “Há quatro dias que eu estou andando de colete para cima e para baixo”, relatou à reportagem.

Segundo o delegado, o inspetor Antônio Alves Dourado já se mostrava muito problemático nas delegacias por onde passou. “Ele sempre queria atuar do jeito dele, e não é assim que funciona no serviço público. Não aceitava cumprir escalas pré-programadas. Simplesmente dizia: ‘Não vou fazer’”, relembra Vasconcelos, que já tinha trabalhado com o agora assassino em outro município.

Ele ainda afirma que de umas semanas para cá, Dourado andava estranho e tentava de todas as formas criar problemas dentro da delegacia. Chegou até a se rebelar contra os colegas de trabalho, que não concordaram com ele em prejudicar o delegado. “Ele tentou de todas as formas me derrubar como delegado regional. Chegou a criar histórias tão absurdas e mirabolantes nas redes sociais, tudo para me denegrir e me atingir”, contou o delegado.

Ainda sem acreditar na tragédia ocorrida dentro da delegacia, Vasconcelos diz que o suspeito premeditou com detalhes a ação. “Não tem nada de surto. Ele preparou tudo para explodir a delegacia. Antes disso, pretendia matar alguns policiais asfixiados, e assim que amanhecesse, o alvo seria eu. O alvo principal, inclusive” , lamenta o delegado que perdeu quatro colegas no massacre.

“Ele não me matou, mas tirou a vida de policiais excepcionais, exemplares, pais de família, homens trabalhadores, do bem, alegres, que vão deixar saudades à toda comunidade da nossa região.”

Questionado se vai continuar à frente da delegacia regional de Camocim após o episódio, Adriano Vasconcelos diz que ainda não parou para pensar no futuro. “Agora é hora de confortar os familiares dos meus colegas de trabalho e manter viva e digna a memória de cada um deles que se foram” , declarou.

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