Galípolo afirma que BC deve ter a ‘devida humildade’ e manter cortes de juros de 0,5 ponto percentual

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O diretor de Política Monetária do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, salientou nesta segunda-feira, 9, que a instituição deve ter “a devida humildade” no enfrentamento de um ambiente de incertezas frente aos possíveis impactos provocados pelo conflito entre Israel e o grupo islâmico palestino Hamas. Por isso, segundo Galípolo a comunicação da instituição empregou palavras como parcimônia e serenidade para falar com a sociedade: “Com o caminho que se desenhou, a gente entende que o passo de corte de juros brasileiro, de 0,50 ponto porcentual, permite simultaneamente ajustar o nível de contração em que a política monetária se encontra e ir observando esses fenômenos domésticos e internacionais para entender e depurar o que está acontecendo na economia”. A afirmação foi dada durante reunião do Conselho Empresarial de Economia da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan). Segundo ele, as reações da economia não têm acontecido sempre da forma esperada pelos analistas.

Como exemplo, Galípolo citou o caso do mercado de trabalho, que apesar de aquecido, não vem se refletindo em pressões inflacionárias maiores. Este é um tema, segundo ele, que está sendo discutido no mundo como um todo, e não é uma jabuticaba brasileira. “O Brasil conseguiu e consegue, apesar disso, seguir o corte de juros no passo que foi anunciado pelo BC desde agosto, primeiro porque a inflação vem demonstrando um comportamento benigno, com surpresas positivas tanto do crescimento econômico quanto da inflação”, disse Galípolo. “Além disso, a inflação de serviços tem sido mais resiliente, mas historicamente esse grupo sempre roda acima dos outros preços”, continuou, dizendo que o tema vem sendo olhado com muito cuidado pelo BC.

O preço do petróleo Brent subiu 4% nesta segunda, chegando a 88,00 US$ (R$ 455,14), enquanto a Bolsa brasileira abriu em queda, com o conflito entre Hamas e Israel no Oriente Médio aumentando a aversão ao risco em todo o mundo. O diretor de Política Monetária do BC disse que as mudanças recentes no quadro econômico mundial têm feito com que boa parte das moedas de países emergentes percam valor. “Os países emergentes costumam pagar um diferencial de juros como um prêmio para atrair investimentos”, afirmou. Segundo ele, num cenário de prêmio mais elevado nos EUA, o diferencial se estreita para os emergentes. Conforme o diretor, o estreitamento leva esses países a ficarem com um espectro da política monetária mais restrito. “A gente tem um cenário internacional agora, no segundo semestre, mais desafiador e desafios novos têm surgido”, pontuou, citando a guerra deflagrada neste fim de semana em Israel.

*Com informações da Agência Estado

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