Perigo à vista no Sambódromo a poucos dias do desfile das escolas

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Ou o advogado Victor Travancas, subsecretário do governo do Rio de Janeiro, mentiu em relatório enviado ao seu chefe, ou “o maior espetáculo da terra”, como universalmente é vendido o desfile anual das escolas de samba na Marquês de Sapucaí, corre sério perigo – e, por tabela, todos que forem assisti-lo no próximo fim de semana.

Os bicheiros, presidentes de escolas, já sabem disso? Se souberem, e se nem o governador Claudio Castro e o prefeito Eduardo Paes ligarem para o que Travancas escreveu, talvez eles possam dar um jeito e salvar o espetáculo mais uma vez ameaçado. Afinal, costumam ser mais influentes do que as autoridades públicas.

Segundo o colunista Lauro Jardim, do Globo,  após coordenar visitas de fiscalização ao sambódromo, Travancas relatou que a Marquês de Sapucaí não tem condições de garantir a segurança dos cidadãos e turistas que comparecerem. Travancas cita “a estranha concessão de alvarás autorizativos para o evento da lavra do Corpo de Bombeiros”.

Diz ter constatado que “todas as saídas de emergência estavam lacradas”, além de existirem “dezenas de construções irregulares e fiação de alta tensão completamente exposta”. Travancas decidiu não participar do carnaval na Sapucaí “para não ser conivente com os crimes que lá estão sendo cometidos pelo Poder Público”.

Abriu mão dos convites institucionais que recebeu e afirma que estará fora do país durante o carnaval por questões de segurança e diante das ameaças sofridas. Foi além:

“Quero estar longe do espetáculo porque não desejo carregar na minha consciência a culpa de mortes que venham a ocorrer em eventuais tragédias, num evento com alvará ilegais e irresponsáveis concedidos pela Administração Estatal”. O ofício foi encaminhado ao subsecretário de Eventos e Ações Promocionais, Rodrigo de Castro.

Sai carnaval, entra carnaval, e descobre-se que o sambódromo atravessa os anos maltratado. Em 2023, a justiça deu 24 horas para que a prefeitura comprovasse a segurança do local. Faltava a documentação do Corpo de Bombeiros. Em abril de 2022, também faltava o alvará dos bombeiros, quase sempre expedido de última hora.

Em 28 de fevereiro de 2019, o Ministério Público do Estado entrou com ação junto à 1ª Vara de Fazenda Pública da Capital pedindo a interdição do Sambódromo. O motivo? O de sempre: a falta de laudos dos bombeiros para que o evento fosse realizado. Os cariocas já devem estar acostumados com isso, mas os de fora do Rio não, e se preocupam.

Tomara Deus que nada de ruim aconteça nunca.

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