Lula, o da democracia relativa, passa a mão na cabeça de Maduro

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Há cerca de um ano, Lula, em entrevista à Rádio Gaúcha, abordou a defesa de setores da esquerda ao regime de Nicolás Maduro, afirmando que o conceito de democracia é “relativo” e explicando que a Venezuela realiza mais eleições do que o Brasil: “Eu gosto de democracia, porque foi a democracia que me fez chegar à Presidência da República pela terceira vez”.

Recentemente, em entrevista à TV Centro América, afiliada da TV Globo no Mato Grosso, Lula comentou a eleição presidencial da Venezuela, enfatizando a importância da apresentação das atas para resolver possíveis controvérsias. Ele ressaltou a normalidade do processo e a necessidade de aguardar a decisão da justiça.

O governo venezuelano ainda não apresentou as atas, alegando falhas no sistema, enquanto a oposição afirma que as atas acessadas mostram a derrota de Maduro. Com 80% das urnas apuradas, o Comitê Nacional Eleitoral deu a vitória a Maduro com 51,2% dos votos, contra 44% do candidato da oposição, Edmundo Gonzalez.

Lula, ao comentar o cenário, defendeu que a apresentação e a veracidade das atas devem ser respeitadas por todos, incluindo a oposição. O PT já reconheceu a suposta vitória de Maduro.

Ainda que não tenha reconhecido oficialmente o resultado, Lula apoiou a postura do PT. Os protestos contra possíveis fraudes na eleição resultaram em violência, com 11 mortos e mais de 700 detidos pela polícia de Maduro em Caracas, incluindo um líder da oposição.

Na Venezuela, os Poderes são submissos a Maduro, assim como as Forças Armadas, a mídia e o Congresso. Nesse contexto, sugerir à oposição entrar com recursos na Justiça pode parecer contraditório, mas reflete a visão de Lula sobre a relatividade da democracia.

Embora seja um tema complexo, a democracia é baseada em princípios como a autonomia dos Poderes, eleições livres e fiscalização, e liberdade de expressão. A falta dessas condições em regimes autoritários, como o de Maduro, demonstra a distinção entre democracia e autoritarismo.

Ao analisar a situação atual, é fundamental considerar os ideais democráticos que vão além da simples realização de eleições. A democracia não é relativa, mas sim uma estrutura fundamentada em valores e instituições que garantem a participação e a representatividade dos cidadãos.

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