STJ anula confissão de acusada de matar marido após perita confirmar em podcast ter forçado declaração

Publicado:

compartilhe esse conteúdo

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) anulou a confissão feita por uma mulher acusada de matar o marido depois que a perita Telma Rocha confirmou, em um podcast, ter induzido a declaração da acusada. Em 2018, Adriana Pereira Siqueira confessou o assassinato de seu companheiro às autoridades policiais, após desconfiar de uma traição e cometer o crime. Quatro anos mais tarde, os peritos envolvidos na investigação participaram de um podcast chamado Inteligência Ltda, onde Telma Rocha detalhou a abordagem feita durante a investigação.

Durante a conversa no local do crime, Telma observou indícios de sangue nas unhas e calças de Adriana, levando a perita a conduzir a conversa de forma a induzir a acusada a confessar o crime. Após a veiculação do podcast, a defesa de Adriana interpôs um habeas corpus solicitando a anulação do processo, alegando violação do direito ao silêncio. Após algum tempo, a 5ª Turma do STJ concordou parcialmente com o recurso, seguindo a decisão da ministra Daniela Teixeira.

A ministra destacou a possibilidade de observar como Telma Rocha convenceu a ré a confessar o crime, sem informar seus direitos e pressionando-a a fazer a declaração, em desacordo com os princípios legais. Além de considerar a confissão nula, a magistrada determinou que os órgãos competentes investiguem a conduta dos peritos envolvidos no caso. Apesar da decisão, o caso será levado a julgamento pelo júri popular, uma vez que Adriana também prestou depoimento oficial.

A sentença de pronúncia foi emitida em 2019, concedendo liberdade provisória a Adriana Pereira Siqueira. A juíza Isabel Rodriguez, da 3ª Vara do Júri de São Paulo, ordenou a retirada do interrogatório extrajudicial da acusada, bem como dos laudos periciais, e solicitou um novo relatório do local do crime pelo Instituto de Criminalística. A decisão do STJ foi fundamentada em falhas processuais que comprometeram a validade da confissão da ré e a imparcialidade dos peritos envolvidos, evidenciando uma conduta reprovável diante das normas profissionais. Agora, o caso segue para julgamento pelo júri popular, marcado para janeiro de 2025.

Compartilhe esse artigo:

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

Feminicídio: jovem de 19 anos é morta a facadas em festa de prefeitura

Um ataque com faca durante uma festa promovida pela prefeitura de Vila Boa, no interior de Goiás, deixou Maria Emília, 19 anos, morta...

Homem é preso com drogas na subestação de Paripe, em Salvador

Um homem identificado como Alan foi detido neste sábado, dia 25, durante uma operação da Polícia Militar na subestação de Paripe, em Salvador....

Cunhada revela por que atacou noiva com tinta preta em casamento

Casamento na Inglaterra ganha contorno judicial após invasão com tinta preta Resumo: Um casamento na Inglaterra ganhou as redes por conta de uma invasão...