Diretor israelense vencedor do Oscar critica “genocídio palestino”

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O documentário “Sem Chão”, vencedor do Oscar 2025 na categoria de melhor documentário, trouxe à tona a questão das tensões entre Israel e Palestina. Durante a premiação, os representantes da produção não hesitaram em criticar o que chamaram de “genocídio palestino”, defendendo ardorosamente uma solução pacífica para a recuperação da Faixa de Gaza.

O jornalista israelense Yuval Abraham, um dos diretores do documentário, fez uma crítica direta à posição defendida pelo governo dos Estados Unidos, em especial pelo presidente Donald Trump, que sugeriu que os EUA assumissem o controle de Gaza após o cessar-fogo. Yuval destacou a importância de um caminho político alternativo, baseado na igualdade de direitos para ambos os povos, enfatizando a necessidade de uma política externa que promova a paz.

“Existe um caminho diferente, sem supremacia, com direitos nacionais para os dois povos. A política externa deste país está dificultando a adoção desse caminho. Nós devemos reconhecer nossa união. Meu povo só estará seguro quando o povo de Basel estiver livre e seguro. Há outra maneira de lidar com as coisas. Ainda não é tarde”, declarou Yuval.

No discurso emocionante, Yuval fez referência a Basel Adra, jovem ativista palestino retratado no documentário e que estava presente no momento da premiação. O filme narra a luta de Basel desde a infância contra a expulsão em massa de sua comunidade em Masafer Yatta, sob ocupação israelense.

“Produzimos este filme, palestinos e israelenses juntos, porque juntos somos mais fortes. Testemunhamos a destruição de Gaza e de seu povo, e isso precisa ter um fim. Israel foi atacado em 7 de outubro, porém quando olho para Gaza, vejo meus irmãos, embora não sejamos iguais. Vivo sob um regime de leis civis, enquanto Basel está sujeito à lei militar, que destrói sua vida e restringe sua liberdade”, ressaltou Yuval.

Basel, por sua vez, abordou a difícil realidade enfrentada pelos palestinos e denunciou o que descreveu como genocídio de seu povo:

“Sinto a opressão, sou forçado a me deslocar, nossas casas são demolidas e minha comunidade sofre diariamente sob a ocupação israelense. ‘Sem Chão’ retrata a realidade crua que enfrentamos há décadas, apelando ao mundo por medidas concretas para pôr fim a esse sofrimento e ao genocídio do povo palestino”, expressou Basel.

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