São Paulo entrega cadeira estratégica da reforma tributária à União

Publicado:

compartilhe esse conteúdo

Copia de Selo Responsabilidade Anunciante 1 28

O governo de São Paulo decidiu não indicar um auditor fiscal de carreira para o Conselho Superior do Comitê Gestor do IBS, abrindo mão de um direito inédito no Brasil. O secretário da Fazenda, Samuel Kinoshita, nomeou o secretário executivo, Rogério Campos, que possui vínculos com a União, como seu suplente.

Essa decisão é preocupante e pode comprometer a autonomia do contribuinte paulista. São Paulo está permitindo a influência federal em um espaço que deveria ser reservado à gestão local, abandonando sua voz em uma área crucial para a arrecadação e distribuição dos recursos.

A Reforma Tributária de 2023 reestruturou o sistema de tributos e criou a CBS, de competência federal, e o IBS, administrado por estados e municípios. A Constituição proíbe a participação da União no Comitê Gestor do IBS, reforçando o pacto federativo.

O comitê deve garantir a governança do IBS, assegurando que cada ente da Federação tenha sua própria voz nas decisões fiscais.

Com a escolha de Kinoshita, a autonomia de São Paulo está ameaçada, permitindo que a União influencie um imposto que deveria ser totalmente gerido localmente, um precedente perigoso.

O Comitê Gestor definirá as regras de arrecadação e fiscalização do novo imposto, impactando diretamente o financiamento de serviços públicos essenciais. A escolha de um procurador da União como suplente gera suspeitas e conflitos de interesse.

A defesa do contribuinte paulista exige uma representação que garanta a utilização justa dos recursos arrecadados.

A Constituição Federal ressalta a importância de que a administração tributária seja feita por servidores específicos, como auditores fiscais. O artigo 156-A assegura que a competência para o IBS é exclusiva de estados e municípios.

O governo paulista deveria ser um exemplo a seguir, mas agora tem a oportunidade de corrigir seu erro. Indicar um auditor fiscal estadual é um compromisso com a legalidade e a ética.

Samuel Kinoshita precisa reconsiderar sua decisão. A defesa dos interesses de São Paulo no Comitê Gestor garantirá uma gestão justa e autônoma dos recursos públicos.

O que está em jogo é mais que uma cadeira; é o futuro da política tributária e da autonomia federal no Brasil.

Compartilhe esse artigo:

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

ARTIGOS RELACIONADOS

Polícia Federal deflagra operação contra lavagem de dinheiro e prende secretária sancionada pelos EUA

Resumo objetivo: A Polícia Federal deflagrou a Operação Exchange para desarticular uma organização criminosa dedicada à lavagem de dinheiro oriundo do tráfico internacional...

PF deflagra operação contra fraude milionária envolvendo emendas Pix

A Polícia Federal deflagrou a operação Acesso Negado para investigar irregularidades em emendas PIX aplicadas a municípios de Roraima, com 41 mandados de...

Polícia prende mais sete advogados em operação contra atuação de facções em presídios baianos

Deflagrada na manhã desta sexta-feira, a operação Sintonia de Gravata mira facções criminosas atuantes no sistema prisional da Bahia, com foco na facilitação...