Agricultores pressionam Macron contra acordo que favorece o Mercosul

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Recentemente, agricultores franceses organizaram protestos em várias partes do país, desde Versailles, famosa por seu palácio histórico, até a Occitânia, região agrícola no sul. A mobilização, convocada pela principal aliança sindical do setor, a FNSEA e Jeunes Agriculteurs, visa denunciar a entrada de produtos importados que não atendem aos mesmos padrões de segurança e meio ambiente exigidos na Europa.

Na sexta-feira, cerca de 100 agricultores, acompanhados de 15 tratores, se concentraram em frente ao Palácio de Versailles. Arnaud Rousseau, presidente da FNSEA, declarou que o objetivo era chamar a atenção do presidente da República. Ele enfatizou a necessidade do primeiro-ministro recebê-los urgentemente, destacando as questões internacionais que afetam o mercado francês.

Com faixas, tratores e ações simbólicas em supermercados e alfândegas, os agricultores alertam sobre o que chamam de “concorrência desleal”. Em Bèziers, uma faixa clamava: “Ajudem-nos, em vez de nos matar”. Pascal Verriele, secretário-geral da FDSEA de Seine-et-Marne, expressou sua frustração, dizendo que chegou ao “fundo do poço”, devido a acordos internacionais que desestabilizam suas propriedades.

Essa movimentação surge em um momento crítico, pois a Comissão Europeia iniciou, em 3 de setembro, o processo de ratificação do acordo com o Mercosul. Apesar de antes se opor, a França agora parece menos disposta a bloquear o tratado, que facilita a importação de produtos agrícolas latino-americanos.

Controle de origem em supermercados

Em Valenciennes, agricultores realizaram uma “operação de controle” da origem dos produtos em um supermercado. Alain Dupont, um dos produtores, fez ironias sobre a globalização dos alimentos ao encontrar queijo emmental da Holanda, afirmando que o verdadeiro emmental é francês.

Em Mont-de-Marsan, a agricultora Julie Meurisse retirou produtos importados das prateleiras, ressaltando que muitos não possuem informações claras sobre a origem. Os produtores em Bèziers despejaram mosto de uva em frente à alfândega como aviso, prometendo ações mais severas no futuro.

Arnaud Rousseau anunciou que continuarão mobilizados caso necessário, especialmente até o final do ano, quando poderão agir mais facilmente nos campos. Em 2024 e 2025, grandes bloqueios ocorreram, e embora a participação tenha diminuído, os protestos continuam. O governo estima que cerca de 3 mil agricultores participaram de 70 ações na sexta-feira.

Descontentamento com acordos internacionais

A revolta dos agricultores gira em torno do acordo de livre comércio entre a União Europeia e o Mercosul, que prevê a redução de tarifas em produtos sensíveis como carne bovina e frango. Os agricultores temem que produtos latino-americanos entrem na Europa com padrões sanitários mais baixos, colocando em risco suas produções.

Além do Mercosul, os produtores criticam os privilégios concedidos à Ucrânia, que pode exportar grãos e carnes para a UE sem tarifas, e o aumento de 15% nas taxas sobre vinhos e destilados europeus pelos Estados Unidos desde agosto.

O Brasil, principal fornecedor de carne do Mercosul, será diretamente impactado, pois depende da ratificação do acordo para aumentar seu acesso ao mercado europeu. Porém, a pressão dos agricultores franceses pode atrasar esse processo, especialmente se o governo de Macron endurecer sua postura diante da situação.

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