Funai: ex-presidente é condenado por perseguir indígenas e servidores

Publicado:

compartilhe esse conteúdo

A Justiça Federal do Amazonas condenou o ex-presidente da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), Marcelo Augusto Xavier da Silva, a dez anos de prisão em regime fechado. A decisão, publicada na última quarta-feira, é resultado de denúncias caluniosas contra servidores públicos, lideranças indígenas e um procurador da República.

Marcelo Xavier atuou à frente da Funai entre julho de 2019 e dezembro de 2022, durante o governo de Jair Bolsonaro. Além da pena de prisão, ele perde o cargo de delegado da Polícia Federal e terá que pagar uma indenização mínima de R$ 50 mil a cada uma das vítimas. A decisão é passível de recurso.

O Ministério Público Federal (MPF) apresentou acusações contra Xavier que envolvem dois episódios distintos. No primeiro, ele instaurou um inquérito policial contra nove servidores da Funai e líderes indígenas Waimiri Atroari, acusando-os falsamente de tráfico de influência e prevaricação. Esse inquérito foi arquivado em 2021, após o procurador Igor da Silva Espíndola concluir que não havia base para a investigação e apontar o uso da Polícia Federal como pressão política.

Após o arquivamento, Xavier apresentou uma nova representação criminal contra o procurador Espíndola, alegando prevaricação e abuso de autoridade. No entanto, essa denúncia foi rejeitada pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região por falta de justa causa.

A sentença, assinada pelo juiz federal Thadeu José Piragibe Afonso, menciona que Xavier utilizou a estrutura da Funai e sua posição como delegado para intimidar servidores e pressionar a liberação de uma linha de transmissão de energia que atravessa a Terra Indígena Waimiri Atroari. O juiz destacou que as ações de Xavier representaram um uso indevido do poder público para retaliar e intimidar.

De acordo com a decisão, Xavier sabia da inocência das vítimas, mas agiu motivado por questões ideológicas e retaliatórias, o que quebrou a confiança entre a Funai e os povos Waimiri Atroari, trazendo à tona memórias de repressão durante a ditadura militar.

Além da pena de prisão, o juiz estabeleceu uma multa de 100 dias-multa e a indenização mencionada anteriormente. Marcelo Xavier também enfrenta outros processos relacionados ao desmonte da Funai e foi indiciado pela Polícia Federal em investigação sobre o assassinato do indigenista Bruno Pereira e do jornalista Dom Phillips, ocorrido em 2022 no Vale do Javari.

O espaço está aberto para a defesa de Xavier, que não foi contatada até o momento.

Compartilhe esse artigo:

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

ARTIGOS RELACIONADOS

Pedra no sapato: Brasil precisará vencer a Noruega pela primeira vez na história para chegar nas quartas da Copa

A Seleção Brasileira chega às oitavas da Copa do Mundo com um desafio histórico: neutralizar o centroavante Erling Haaland e romper o tabu...

Orçamento do DF para 2027 é aprovado com previsão de nomear 6 mil novos servidores

Distrito Federal O Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias do Distrito Federal (PLDO) para 2027 estabelece uma receita total de...

Morre, aos 104 anos, Antonio Villela, fundador do André Luiz, 1º centro espírita do DF

O Brasil perde Antonio Villela, fundador do CEAL (Centro Espírita André Luiz) no Distrito Federal. Villela morreu aos 104 anos, 20 dias após...