Opinião: Esperar que o Judiciário e seus membros não sejam político é um misto de hipocrisia e utopia

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A cada vez que uma vaga para ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) surge, os moradores do Brasil se deparam com a hipocrisia que envolve a ideia de que o Judiciário não tem viés político. Enquanto parte da população permanece indiferente à escolha de Luiz Inácio Lula da Silva, outra se manifesta, exigindo que a Corte permaneça imparcial. Isso ocorre como se estivéssemos vivendo em uma utopia, ignorando a realidade de que a imparcialidade é uma ilusão. Mesmo a mídia já admite que ela não existe.

Desde o julgamento do mensalão, o STF ganhou destaque. Antes, poucos se preocupavam em conhecer seus membros. Agora, muitos conhecem mais ministros do STF do que jogadores da Seleção Brasileira. Esse cenário reflete uma mudança, mas a percepção de que o Judiciário é apolítico ainda é distante da consciência coletiva.

Acreditar que juízes não são políticos é um erro. Juízes sempre operam dentro de um contexto político, e isso não significa que esqueçam suas obrigações legais. A hermenêutica jurídica permite interpretações variadas de uma mesma legislação, dependendo do contexto em que é aplicada. Enquanto se discute a tendência política de um ministro do STF, muitos esquecem que, desde o Juízo de Primeiro Grau, já existem influências políticas nas decisões dos magistrados.

Um exemplo disso é a próxima eleição para a Mesa Diretora do Tribunal de Justiça da Bahia, onde desembargadores vão travar uma disputa política acirrada. Ninguém é filiado a um partido político, mas todos se mobilizarão para convencer seus pares sobre quem será o melhor gestor. Essa disputa não é apenas uma questão de “democracia interna”, mas um verdadeiro embate político.

Com a aposentadoria de Luís Roberto Barroso, Lula se tornará o presidente com o maior número de indicações no STF. A escolha será alvo de críticas, independentemente de quem for o indicado. Vale lembrar que não há garantias de que o novo ministro esteja alinhado com a ideologia do presidente. Dias Tóffoli exemplifica isso, pois é considerado “traidor” por muitos. Para avançarmos enquanto sociedade, é essencial deixar de lado a hipocrisia de acreditar que o Judiciário esteja isento de política. Contudo, isso parece um desafio que devemos enfrentar no futuro imediato.

E você, o que pensa sobre a relação entre política e Judiciário? Compartilhe suas opiniões nos comentários. Vamos debater juntos!

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