Pode não ser a Segurança (por Mary Zaidan)

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O tema da Segurança Pública promete dominar as discussões nas eleições do próximo ano, mas será que isso realmente se concretiza? Uma análise das últimas pesquisas mostra uma mudança nas preocupações dos brasileiros ao longo da última década. De corrupção e saúde até a economia, a Segurança tem se destacado, com picos notáveis em 2014 e atualmente.

Em 2014, as ações da facção PCC em São Paulo e o aumento da criminalidade no Nordeste alarmaram a população. Os números de homicídios, especialmente entre jovens, eram tão altos que a ONU chegou a declarar que o Brasil vivia uma “epidemia de violência”. Desde então, a preocupação com a corrupção ressurgiu, especialmente com os desdobramentos da Lava Jato. No entanto, a pandemia de Covid-19, que deixou mais de 700 mil mortos, fez a saúde ocupar o primeiro lugar nas preocupações até 2022. A inflação, que havia se tornado o principal tema em 2013, volta a ganhar destaque em 2025.

Historicamente, a população vivencia uma troca constante de prioridades: corrupção, saúde, economia e segurança sempre voltam a ser temas das eleições, mas raramente há soluções efetivas. Mesmo quando os candidatos falam sobre esses assuntos, muitos não refletem diretamente no resultado das eleições. Por exemplo, em 2014, Dilma Rousseff foi reeleita, apesar das preocupações com Segurança Pública e corrupção.

As eleições seguintes também mostraram que as preocupações populares não impactaram necessariamente os resultados finais. Em 2022, mesmo com a saúde sendo uma prioridade, Lula conquistou a presidência com a promessa de reforçar a democracia, uma questão que, curiosamente, não estava entre as principais preocupações da população.

O papel da mídia na formação da opinião pública é fundamental. A massificação de informações e a presença de discussões sobre segurança não se restringem mais aos meios de comunicação tradicionais. A proliferação de opiniões por especialistas e a influência da Inteligência Artificial contribuem para que a desinformação circule livremente, confundindo ainda mais o que é verdade e o que não é.

Após a recente megaoperação no Rio, que resultou na morte de policiais e supostos criminosos, a percepção da população sobre a operação foi rápida e uniforme. Pesquisas mostraram que 67% apoiam as ações, mas 55% não gostariam que isso se repetisse em seus estados. Esse paradoxo revela que, apesar do apoio à segurança, muitos preferem distância da violência.

Atualmente, a Segurança Pública é, sem dúvida, o tema do momento, enquanto a inflação, que há seis meses dominava as preocupações, agora parece ter perdido espaço. Apenas o tempo dirá o que mais poderá ser levantado até as eleições, mas é triste perceber que as vozes da população costumam ser esquecidas após o clamor pela mudança, perdendo força frente ao próximo grande drama.

Convido você a refletir sobre como essas questões impactam sua vida e sua localidade. O que você acha que pode ser feito para realmente melhorar a segurança na sua cidade? Compartilhe sua opinião nos comentários.

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