Judiciário pagou mais de R$ 450 mil em diárias de seguranças em cidade de resort frequentado por Toffoli

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Funcionários do Judiciário foram destacados para atender a ministros do STF em Ribeirão Claro, no Paraná, próximo ao resort Tayayá, ligado ao ministro Dias Toffoli. O pagamento de diárias para esses agentes já passou de R$ 454 mil desde dezembro de 2022, conforme registros do TRT-2 divulgados pela Folha de S. Paulo em 22 de sexta-feira.

Nos registros, os deslocamentos são apresentados como “prestar apoio em segurança e transporte para autoridade do STF” na cidade. A assessoria do STF não se manifestou sobre o conteúdo.

Cada viagem envolvia uma equipe de quatro ou cinco funcionários do TRT-2 responsáveis pela segurança e pelo deslocamento. Em viagens maiores, novas equipes eram enviadas para substituir as primeiras.

A despesa total para o tribunal foi de R$ 454 mil até novembro de 2025, mês da última lista disponível de gastos do TRT-2. Depois disso, novos deslocamentos ocorreram entre 13 de dezembro e 2 de janeiro deste ano.

A ligação do local com o ministro Toffoli já era conhecida. Segundo repetidas informações, os irmãos do ministro, José Carlos e José Eugênio, teriam dividido o controle do Tayayá com o fundo de investimentos Arleen, que faz parte de uma rede ligada ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Master.

O Arleen entrou na sociedade em 2021 comprando cotas de empresas que pertenciam aos irmãos e a um primo de Toffoli. A estrutura era parte de um grupo que, segundo o jornal O Estado de S. Paulo, pertence a Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro. A propriedade foi vendida em 2025.

O uso dos agentes na região parece ter sido mais frequente em períodos de férias e recesso do Judiciário, com deslocamentos em datas como Carnaval, julho e fim de ano. Segundo relatos, Toffoli passou o Réveillon no Tayayá, onde ele ainda mantém uma casa.

Imagens obtidas pela coluna Andreza Matais mostram Toffoli aguardando convidados em área reservada dos jardins do resort. No vídeo de 25 de janeiro de 2023, surgem empresários como Luiz Pastore, dono do grupo metalúrgico Ibrame, e o banqueiro André Esteves, do BTG Pactual. O ministro cumprimenta Pastore e Esteves em uma roda de conversa, com bebidas na mão.

A relação com os empresários ganhou reforço no último ano, quando Toffoli viajou com o advogado Augusto de Arruda Botelho para a final da Copa Libertadores, no Peru, a bordo de um jatinho de Pastore. A viagem suscitou questionamentos sobre a isenção do ministro para relatar investigações envolvendo o Banco Master, já que Arruda Botelho é advogado de defesa de Antonio Bull, ex-diretor do banco.

O conjunto de informações levanta debates sobre a relação entre autoridades do Judiciário e empresários, bem como sobre transparência e eventuais conflitos de interesse que merecem acompanhamento público.

O que você pensa sobre esse tema: diárias, vínculos entre autoridades e empresários, e a transparência de decisões? Compartilhe sua opinião nos comentários.

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