Alvo da PF, Tanure atrasa salários e oferece ações a funcionários

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O grupo Alliança Saúde e Participações, controlado pelo empresário Nelson Tanure, tem atrasado salários de médicos em seus principais laboratórios desde dezembro, com cerca de 10 colaboradores do Cura afetados e relatos de atrasos nos laboratórios CDB e Delfim em janeiro. A companhia atribui os atrasos a um ajuste pontual nos calendários de pagamento, afirmando que não houve inadimplência nem descumprimento contratual.

No laboratório CDB, o pagamento programado para 20 de janeiro foi realizado apenas 10 dias depois. Os médicos do Delfim deveriam ter recebido em 8 de janeiro, mas receberam 12 dias depois. Já no Cura, pagamentos previstos para 28 de janeiro foram reprogramados para 10 de fevereiro.

A Alliança afirmou ter feito esse ajuste no início do ano para padronizar datas entre as empresas do grupo. Segundo a empresa, o processo foi comunicado aos prestadores e não representa inadimplência ou descumprimento contratual, mantendo a operação normal.

Quem é Nelson Tanure

Conhecido como “devorador de empresas” pela atuação em companhias à beira do colapso financeiro, o empresário Nelson Tanure é controlador do grupo Alliança desde 2022. A Polícia Federal deflagrou, em 14 de janeiro, a segunda fase da Operação Compliance Zero, mirando fundos e operações financeiras associadas ao banco Master, e houve a apreensão do celular dele.

A defesa do empresário nega vínculos societários com o Master e afirma que ele manteve relação apenas de cliente. Diz ainda que Tanure possui décadas de experiência no mercado de valores mobiliários e que jamais enfrentou processo criminal relacionado à sua atuação empresarial.

Oferta de ações

Oferta de ações – Em meio às investigações, a Alliança prorrogou o prazo para que os acionistas manifestem interesse em exercer o direito de preferência na expansão de capital, anunciada no fim do ano passado, com o objetivo de fortalecer a estrutura financeira. A empresa busca levantar cerca de R$ 797 milhões, com ações a R$ 5,60 cada.

O programa prevê participação de funcionários, médicos e colaboradores. Cada ação adquirida dá direito a comprar uma nova ação no futuro por cerca de R$ 4,88, um desconto de aproximadamente 13%. A empresa esclarece que a opção de conversão de créditos em ações é facultativa e não substitui obrigações de pagamento, mantendo a operação em funcionamento normal.

A Alliança afirma que a operação de aumento de capital é regular, não substitui obrigações de pagamento e que a empresa continua operando normalmente, à disposição para esclarecimentos.

O que você pensa sobre esse movimento da Alliança e sobre a situação salarial na área da saúde? Compartilhe sua opinião nos comentários.

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