Prefeitura fecha espaço que há 35 anos ampara pessoas vulneráveis

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A Prefeitura de São Paulo fechou o Núcleo de Convivência São Martinho de Lima, no bairro do Belenzinho, na zona leste. Com mais de 35 anos de atuação, o espaço atendia cerca de 400 pessoas em situação de vulnerabilidade e, agora, passa por um processo de requalificação da rede socioassistencial, visando aprimorar os serviços e a qualidade do atendimento.

Segundo a gestão de Ricardo Nunes, o fechamento faz parte de um reordenamento da rede de assistência social do município, com a garantia de que nenhum morador ficará sem atendimento durante a transição. A prefeitura afirmou que os usuários serão redistribuídos para outros equipamentos, assegurando continuidade do acolhimento.

O São Martinho de Lima foi fundado em 1990 pelo padre Júlio Lancelotti e pelo bispo Dom Luciano Mendes de Almeida, durante a gestão Luiza Erundina. A criação ocorreu junto com a implementação do Plano Collor, que buscava conter a hiperinflação e reduzir a pobreza, levando a prefeitura a assumir a acolhida de pessoas em situação de rua.

Inicialmente dirigido de forma voluntária por Lancelotti, o espaço começou com refeições simples, feitas com sobras da feira. Há cerca de 20 anos, o Centro Social Nossa Senhora do Bom Parto (Bompar) passou a gerenciar o local, que hoje fica na rua Padre Adelino, próximo à estação Belém do metrô.

Júlio Lancelotti afirma que o entorno está cercado por projetos imobiliários e que a gestão municipal sofre pressão do mercado para retirar a população vulnerável do território. Em suas palavras, trata-se de uma requalificação usada para expulsar pessoas, o que ele caracteriza como uma ação higienista.

Com o fechamento, a prefeitura planeja encaminhar os usuários a outros centros, como Arsenal da Esperança, na região do Brás. O Arsenal já atende mais de mil pessoas em situação de vulnerabilidade, mas exige permanência diurna para alimentação e, ainda, aceita apenas homens, o que acende a preocupação de que mulheres, crianças, idosos e pessoas com transtornos mentais fiquem sem acolhimento adequado.

“Eles raciocinam em números, só que esses números não têm gênero. A maior parte dos lugares para onde vão remanejar atende apenas homens, não atende mulheres e crianças. Não atendem pessoas com transtorno mental nem idosos.”

Para o padre, essa priorização de perfil de atendimento demonstra que a cidade pode estar retirando soluções de sobrevivência para quem depende de serviços de convivência. O Arsenal da Esperança, que já funciona como referência, é citado como exemplo de centro que dificulta o acesso de público diverso e, por isso, preocupa quem trabalha com a proteção social.

A prefeitura sustenta que o reordenamento da rede de assistência social é planejado e responsável, buscando manter a continuidade do atendimento às pessoas em situação de rua por meio de uma organização estruturada e de qualidade nos serviços prestados.

A cidade debate o futuro da acolhida a moradores em vulnerabilidade, equidade de gênero e acessibilidade em serviços de convivência. O que você acha da saída de centros como este e de como devem ser feitas as realocações para garantir atendimento adequado a todos? Compartilhe sua opinião nos comentários.

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