Professor que matou e voltou a dar aula: pedido de prisão está parado há 1 ano

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Caso do professor Igor Azevedo Bomfim: tramitações, afastamento escolar e desdobramentos judiciais

O caso envolve Igor Azevedo Bomfim, 46 anos, professor substituto da rede pública do Distrito Federal, acusado do assassinato de Mayara Lisboa, sua ex-namorada, em 2 de novembro de 2010, na casa dela em Santa Rita de Cassia (BA). Igor confessou o crime após ficar foragido, e o caminho processual acumula decisões e recursos que se estendem até o STJ.

Na época dos fatos, Igor tinha 31 anos e Mayara, 22. O relacionamento teve fim após episódios de ciúmes que, segundo investigações, indicavam comportamento controlador. O crime ocorreu quando Igor invadiu a residência da ex-companheira, no banheiro, e efetuou os tiros. Mayara chegou a pedir a intervenção de um amigo para vigiar a casa.

Igor se apresentou à polícia 12 dias após fugir e confessou o assassinato, sustentando ter atuado em defesa da honra. Em 2013, ele foi Absolvido pelo Tribunal do Júri. A defesa recorreu e, em 2019, houve uma nova decisão que condenou o professor a 10 anos, 10 meses e 18 dias de prisão.

O réu permaneceu em liberdade até novembro de 2024, quando o trânsito em julgado ocorreu e ele foi preso em casa, no Guará (DF). Em seguida, o STF anulou o trânsito em julgado, e o TJ Bahia determinou a soltura de Igor. O processo retornou ao STJ e, até o momento, não houve atualizações relevantes.

Sobre o afastamento da instituição de ensino, o Metrópoles mostrou que a comunidade escolar do CEF 03 da Cidade Estrutural ficou tomada por medo e indignação com a nomeação de Igor como professor substituto. Na noite de terça-feira, a Secretaria de Educação informou que ele não integra mais o quadro de profissionais do CEF 03 da Estrutural. A pasta afirmou que Igor apresentou certidões negativas de antecedentes criminais no ato da contratação e que houve protocolo sigiloso na Corregedoria para apurar a situação.

O acusado, por meio de nota enviada ao Metrópoles, afirmou que aguarda decisão do STJ a respeito da acusação e ressaltou a presunção de inocência até o trânsito em julgado, conforme a Constituição Federal.

“A defesa de Igor se limita à atuação nos autos do processo. E, a respeito disso, [a defesa] tem a informar que, nos termos do que preceita a Constituição Federal, qualquer pessoa é presumidamente inocente até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória.”

A reportagem manteve contato com a defesa após o afastamento, sem retorno até o fechamento desta matéria. O espaço segue aberto para posicionamentos oficiais.

Entenda o crime envolvendo o docente

  • Em 2 de novembro de 2010, Igor Azevedo Bomfim invadiu a casa da então ex-esposa Mayara de Souza Lisboa, em Santa Rita de Cássia (BA), e atirou nela; a vítima morreu no local.
  • Na época, Igor tinha 31 anos e Mayara, 22; o relacionamento durou pouco mais de um ano.
  • Relatórios do inquérito indicaram ciúmes que extrapolavam a normalidade, com monitoramento da vítima e confrontos graves, incluindo ameaça com arma.
  • No dia dos fatos, Igor saltou o muro dos fundos da casa, encontrou Mayara no banheiro e a executou; meses antes, Mayara havia pedido que alguém vigilasse a casa para permitir que ela tomasse banho em segurança.
  • Após 12 dias foragido, Igor se entregou e confessou o crime, alegando ter agido em defesa da honra.
  • Igor foi condenado pela primeira vez em 2013, mas absolvido pelo Tribunal do Júri; mudou-se para o DF logo após a absolvição e passou a lecionar na rede pública.
  • Em 2019, houve nova decisão condenando o professor a 10 anos, 10 meses e 18 dias de prisão; ele recorreu e permaneceu em liberdade até 2024.
  • Em novembro de 2024, o trânsito em julgado ocorreu e Igor foi preso em casa; poucos dias depois, o STF anulou o trânsito, e o TJ-BA ordenou sua soltura. O processo retornou ao STJ, sem atualizações relevantes até então.

O afastamento

O Metrópoles mostrou que a escola CEF 03, na Cidade Estrutural, vivenciou medo entre alunos e funcionários com a aproximação do professor substituto envolvido no caso. A Secretaria de Educação informou, na noite desta terça, que Igor não integra mais o quadro de profissionais do CEF 03 da Estrutural.

A pasta acrescentou que, no momento da contratação, Igor apresentou toda a documentação exigida, incluindo certidões negativas de antecedentes criminais, expedidas pela Polícia Federal e pelo Tribunal de Justiça do DF; a Corregedoria abriu procedimento sigiloso para apurar o caso. Não está claro se ele será remanejado ou exoneração será adotada.

A defesa de Igor confirmou, antes da publicação da primeira reportagem, que aguarda decisão do STJ sobre o caso. A posição da defesa enfatiza a presunção de inocência até o trânsito em julgado.


O processo jurídico envolvendo o caso permanece em aberto, com decisões ocorridas ao longo de mais de uma década e desdobramentos recentes que afetam a atuação de Igor Azevedo Bomfim na educação do Distrito Federal. A cada etapa, as defesas do réu e da vítima pedem celeridade, enquanto as autoridades ressaltam a necessidade de apuração adequada de todas as informações.

Se você acompanhou o caso ou tem opinião sobre o equilíbrio entre justiça e educação pública, deixe seu comentário abaixo e compartilhe sua visão sobre como casos dessa natureza devem ser tratadas pelas instituições e pela imprensa.

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