Após 7 anos, Goiás aprova aumento de pensões às vítimas do Césio-137

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Resumo: A Assembleia Legislativa de Goiás aprovou, nesta quinta-feira (26/3), o reajuste das pensões pagas às vítimas do acidente com Cs-137 ocorrido em Goiânia. A medida depende da sanção do governador Ronaldo Caiado para valer. O reajuste aumenta as pensões para diferentes faixas, reconhecendo os diferentes níveis de exposição à radiação, e marca mais um capítulo na memória de uma tragédia que continua a impactar a cidade.

O projeto tramita sob o número 4577/26 e foi encaminhado pelo Executivo em 17 de março. As novas regras elevam as pensões de 954 reais para 1.621 reais na faixa mais comum, enquanto quem manteve contato direto com o material ou esteve exposto a mais de 100 RAD terá o benefício de 1.908 reais que sobe para 3.242 reais, conforme o Anexo I da Lei 14.226/2002. O governo estadual destaca que, hoje, 603 pessoas recebem a pensão vitalícia, abrangendo profissionais envolvidos na descontaminação, na vigilância do depósito provisório em Abadia de Goiás e no atendimento de saúde às vítimas.

O acidente com Cs-137 em Goiânia, em 1987, é considerado o maior desastre radiológico já registrado no Brasil fora de uma usina nuclear. Dois catadores encontraram uma cápsula de radioterapia abandonada e, ao desmontá-la, liberaram a substância. Um ex-funcionário abriu a cápsula, espalhando fragmentos pela cidade. Ao todo, 249 pessoas foram contaminadas e quatro morreram, entre elas Leide das Neves Ferreira, aos seis anos, que se tornou um símbolo da tragédia. A crise expôs falhas na fiscalização de materiais radioativos e deixou marcas profundas na população goiana, com impactos sociais, econômicos e de saúde que se estendem até hoje.

A série especial do portal Metrópoles, Memórias radioativas, ajuda a contextualizar a história: vítimas lutam para não serem esquecidas, e o legado do acidente envolve ciclos de recuperação, memória e responsabilidade pública. Enquanto as memórias são preservadas, a região permanece sob vigilância e monitoramento, com ações que vão desde demolições de imóveis até descontaminação de áreas e o armazenamento seguro de rejeitos. A narrativa reforça o papel das autoridades e da imprensa na construção de uma memória pública responsável.

Ao longo das décadas, famílias e vítimas seguiram buscando reconhecimento e melhoria das condições de vida. O episódio evidenciou a necessidade de fiscalização mais rigorosa de materiais radioativos, bem como de políticas públicas estáveis para assistência às pessoas afetadas e para a proteção de comunidades inteiras diante de riscos semelhantes. Em Goiânia, a memória do Cs-137 permanece viva nos relatos de familiares, nos locais que ainda carregam marcas da radiação e no trabalho contínuo de órgãos de saúde e meio ambiente.

Este tema permanece relevante para a cidade e para o estado, pois envolve decisões que afetam diretamente a vida de centenas de pessoas, bem como o compromisso com a memória de um episódio que mudou a história local. A sanção do governador Ronaldo Caiado será decisiva para a implementação efetiva do reajuste e para a continuidade de políticas públicas que assegurem dignidade, cuidado e memória para as vítimas e para a comunidade.

Galeria de imagens: registros visuais da memória do Cs-137 em Goiânia — clique nas fotos para ampliar.

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