PL gasta R$ 209 mil com “tour” de Flávio por Oriente Médio e Europa

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O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) realizou uma viagem de três semanas ao Oriente Médio e à Europa entre 20 de janeiro e 11 de fevereiro, com gastos oficiais estimados em ao menos R$ 209,8 mil. O conjunto de despesas abrange passagens, hospedagem e agendas com autoridades locais, destacando a predominância de trechos em classe executiva e participação em atividades políticas e religiosas. O itinerário incluiu Israel, Emirados Árabes, Bahrein, Catar e França, encerrando-se com encontros de alto nível e atividades públicas que caminham além da agenda estritamente legislativa.

Em termos de contexto, as viagens ocorreram já com Flávio anunciado como pré-candidato ao Palácio do Planalto. Segundo a prestação de contas apresentada pelo PL ao TSE, o gasto principal recaiu sobre passagens aéreas, de forma a somar pelo menos R$ 173,1 mil. Os bilhetes foram adquiridos para o senador e dois assessores, cobrindo trajetos para Tel Aviv (Israel), Abu Dhabi (Emirados Árabes), Doha (Catar) e Paris (França), entre outros. A maior parte dos trechos ocorreu em classe executiva, com exceção do trecho Abu Dhabi-Doha, em que a economic foi utilizada; os assessores do senador viajaram em economy.

Quanto à hospedagem, o PL gastou pelo menos R$ 36,6 mil para acomodação de Flávio e de seus assessores, em hotéis de alto padrão como The Inbal Jerusalem (Israel), Hilton Doha (Catar) e Marriott Al Forsan (Emirados Árabes). Em Israel, o senador participou da Conferência Internacional de Combate ao Antissemitismo, realizada em Jerusalém nos dias 26 e 27 de janeiro, com parte da viagem a Tel Aviv custeada pelo Senado Federal. Essas atividades, aliadas aos encontros oficiais, compõem um retrato de uma viagem com forte viés institucional e político, além de componentes religiosas para o parlamentar.

Entre as agendas, Flávio manteve reunião com o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, acompanhado do irmão Eduardo Bolsonaro. Também houve um momento religioso significativo em Tel Aviv, com o batismo no Jordão e uma oração no Muro das Lamentações. Em Paris, o senador reuniu-se com políticos da direita e concedeu entrevista à emissora francesa CNews, na qual criticou o governo Lula e comentou sobre o escândalo da chamada Farra do INSS. O que se observa é uma combinação de atuação diplomática, político-eleitoral e ações de natureza simbólica, alinhadas à imagem de liderança no cenário da região.

A reportagem apurada pela página também revelou que, ao longo da viagem, a maior parte dos custos foi arcada pelo Partido Liberal (PL), com a menção de que parte das despesas em Tel Aviv teve cobertura do Senado. Questionadas, as assessorias de Flávio Bolsonaro e do PL não retornaram aos contatos feitos desde a sexta-feira (13/03). Em síntese, o conjunto de informações sustenta uma narrativa de viagens com finalidade tanto institucional quanto de visibilidade política, mantendo o foco nos gastos, nas ligações com autoridades estrangeiras e nas escolhas de agenda que repercutem no cenário nacional.

Como leitor, reflita sobre o uso de recurso público para fins políticos em viagens internacionais. Qual o peso dessas despesas para a imagem de um pré-candidato e quais são os mecanismos de controle que devem acompanhar esse tipo de operação para manter a transparência pública? Conte sua opinião nos comentários abaixo, levando em conta tanto a necessidade de representação externa quanto a responsabilidade fiscal.

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