Resumo curto: A professora brasileira Célia Maria Cassiano, de Campinas, diagnosticada com esclerose lateral amiotrófica (ELA) em outubro de 2024, decidiu pela morte assistida na Suíça. Ela relatou dificuldades de conseguir apoio médico e jurídico no Brasil, deslocando-se para um país onde esse procedimento é permitido por lei. Em suas redes, descreveu a vida com a doença, a busca por um direito à morte digna e a conclusão de que os últimos dias em território suíço foram os melhores de sua vida, encerrando com o desejo de inspirar o debate no Brasil sobre a legalização da morte assistida.
Célia Maria Cassiano era professora da área de artes em Campinas, no interior de São Paulo. Formada em Ciências Sociais, ela concluiu mestrado em Multimeios pela Unicamp e atuou em instituições como Sesc e Esamc, também em Campinas. Após ser diagnosticada com ELA, ela passou a partilhar sua rotina de tratamento nas redes sociais, revelando a cada semana como a doença avançava e como tentava manter a autonomia apesar das limitações físicas.
Em outubro de 2024, a doença passou a ditar grande parte de sua vivência. Nos meses seguintes, Cassiano iniciou uma busca intensa por caminhos legais para assegurar um fim de vida conforme desejava. Viajou para a Suíça, onde, segundo relatos, o suicídio assistido é permitido por lei, e passou a registrar em vídeos e publicações as experiências adquiridas nesse novo contexto. Em suas postagens, descreveu a mudança de estratégia diante da inviabilidade de realizar o procedimento no Brasil e o esforço para encontrar uma organização que pudesse apoiá-la nesse caminho.
A professora admitiu ter buscado laudos médicos e apoio jurídico no Brasil, mas percebeu que os procedimentos necessários não eram viáveis por lá. Segundo suas declarações, faltou aceitação por parte de profissionais que pudessem avançar com o que ela descreveu como tratamento experimental da ELA. Isso a levou a orientar a ida à Suíça, onde afirma ter conseguido documentos necessários com a ajuda de um advogado para formalizar a busca por um fim de vida assistido, que no Brasil ainda é tema de controvérsia e de debates legais sobre a legislação vigente.
Cassiano relatou sentir paz ao falar de seu estado físico e da prática que escolheu. Em relatos divulgados, disse que, apesar de manter a mente afiada, a doença a destruía fisicamente, dificultando tarefas simples como ir ao banheiro ou tomar banho. Ela também mencionou que os últimos dias na Suíça foram, para ela, os melhores da vida, descrevendo a experiência como um período de tranquilidade diante de uma doença que se agravava a cada mês. Em várias mensagens, ela destacou a importância de discutir e ampliar o debate sobre direitos de morrer com dignidade no Brasil, defendendo a necessidade de uma lei que permita a escolha de como morrer.
O caso acende o debate sobre a eutanásia e a assistência à morte no Brasil, onde a discussão envolve aspectos éticos, legais e médicos. Cassiano deixou claro que lutou pelo direito de ter uma morte digna e recomendou que a sociedade brasileira aprenda com a experiência de outros países para pensar políticas públicas que respeitem a autonomia individual frente a doenças graves e degenerativas. Seu relato também reforça a ideia de que o acesso a informações, consultorias legais e redes de apoio pode influenciar decisões tão sensíveis quanto o fim da vida, especialmente quando o sistema de saúde local não oferece caminhos viáveis.
E chega o momento de refletir sobre o que significa autonomia em saúde, sobretudo para pessoas com doenças degenerativas que afetam a qualidade de vida de forma progressiva. A história de Cassiano, contada por ela mesma, lembra que a dignidade não depende apenas de conquistas médicas, mas também de garantias legais e de um debate público aberto sobre o direito de escolher o fim da própria vida. A discussão permanece em aberto, com diferentes caminhos possíveis e implicações para a sociedade como um todo.
E você, leitor, como encara o tema da morte digna e a possibilidade de escolha em casos de doenças graves? Compartilhe sua opinião nos comentários e participe desse debate que envolve ética, direitos humanos e políticas públicas de saúde.

