Gafisa usou advogado operador de Vorcaro para ocultar fortuna no Master

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Gafisa, Master e Bergamo: o enredo de fundos, penhoras e supostos esquemas que envolve credores e autoridades

Ao longo de uma disputa que envolve grandes nomes do setor financeiro, a construtora Gafisa, o Banco Master e a administração do fundo Bergamo têm sido apontados por credores como parte de uma estratégia para blindar ativos e retardar cobranças. A operação envolve a participação de um advogado de renome no mercado de direito creditício, o Fundo Bergamo gerido pela Trustee DTVM, e uma teia de movimentações que já soma bilhões de reais entre aplicações e resgates. A novela, que ganhou fôlego em ações distintas de credores, permanece sob escrutínio de autoridades e do Congresso, com desdobramentos que afetam a credibilidade de gestoras e gestores de fundos no mercado brasileiro.

Segundo os documentos apresentados em ações movidas pela Polo Securitizadora contra a Gafisa, há a acusação de um conluio com o Master para impedir penhoras e dificultar a localização de patrimônio da construtora. O fundo Bergamo, que a Gafisa diz deter 100% de participação, tinha, em 2022, patrimônio declarado de R$ 129 milhões, e passou a ser objeto de penhora após a constatação de que parte de seus recursos estaria ligado a operações com o Master. Ao longo de três anos, haveria movimentação superior a R$ 2 bilhões, distribuída em 138 aplicações e 178 resgates. Essas informações surgem na esteira de uma ação que também envolve a alienação fiduciária de ativos e a suposta blindagem de valores para evitar cobranças judiciais.

O caso ganhou contornos adicionais com a participação do advogado Daniel Monteiro, sócio do escritório Monteiro, Rusu, Cameirão e Bercht Advogados, apontado como operador técnico de operações de crédito para o Master. A Polo Securitizadora sustenta que não houve comprovação de alienação fiduciária do Bergamo e descreve o movimento como uma tática para manter ativos intocáveis diante de ordens judiciais de penhora. Em resposta, a defesa de Monteiro afirmou que o escritório atua apenas de forma técnica, e que a ação da Polo é mais uma entre inúmeras defesas de clientes do escritório.

Engenharia de fundos aparece como um elemento central: Monteiro era apontado como responsável pela estrutura de fundos que operavam entre ativos a receber, com uma base na sede do Master, em São Paulo. A imprensa ouviu relatos de agentes de mercado de que esse modelo permitia ganhos significativos para o escritório e para o Master, com relatos de ostentação associados a carros de luxo. A narrativa sustenta que o escritório mantinha dois clientes principais: o Banco Master e a gestora REAG, com operações interligadas que teriam alimentado um ecossistema financeiro voltado a blindar bens e facilitar deslocamentos de recursos entre as partes.

Casos relacionados à Gafisa e ao Bergamo também apareceram em ações movidas pela família Klabin. A Klabin buscava valores da ordem de dezenas de milhões, mas apenas localizou R$ 0,01 na conta da Gafisa, encontrando resistência para acessar recursos do Bergamo. A Trustee argumentou que os recursos estavam alienados ao Master, e a petição da Klabin sustentou a existência de uma estrutura societária complexa para proteger os interesses do acionista controlador, Nelson Tanure, e da própria Gafisa. Em dezembro de 2024, a Justiça deferiu a penhora sobre o Bergamo e rejeitou a alegação de que os recursos só poderiam ser liberados ao término do prazo de duração do fundo, reconhecendo que o Bergamo tem prazo de duração indeterminado e que a Trustee não pode recusar o cumprimento de ordens judiciais.

Paralelamente, Vladimir Timerman, da Esh Capital, em depoimento à CPI do Crime Organizado, detalhou caminhos pelos quais recursos da Gafisa poderiam deixar o Bergamo, passando pela MN I e chegando ao Master. Timerman chegou a sugerir aos parlamentares que Tanure seria o verdadeiro dono da Trustee, administradora do Bergamo, com gestora controlada pelo grupo de Vorcaro. As declarações reforçam a percepção de uma rede de relações entre credores, gestores de fundos e acionistas, cujos impactos vão além de casos isolados e atingem o ambiente de negócios da construção civil e do mercado de capitais.

Conexões entre Master, Gafisa e Trustee surgiram em ações envolvendo a família Klabin, cuja petição destacou uma “estrutura complexa” criada para proteger os interesses da Gafisa e de Nelson Tanure. A defesa da Trustee sustenta que não houve atraso de pagamento e que os valores não deveriam ser alvo de penhora neste momento, mas a decisão de dezembro de 2024 indicou o contrário, autorizando a penhora dos ativos do Bergamo e rejeitando a justificativa de espera pelo fim do fundo.

Balanço, o cenário descrito revela uma teia de operações de crédito e de fundos com vínculos entre credores, gestores e investidores, que, segundo analistas, exige maior transparência e fiscalização eficaz para evitar abusos e proteger credores sem prejudicar a liquidez do mercado. A continuidade de disputas judiciais e de investigações sugere que novas informações poderão vir a público nos próximos meses, remodelando a leitura sobre a atuação de fundos de investimento, securitização de recebíveis e a governança de ativos em situações de inadimplência.

Encerramento, a complexidade deste caso ressalta a importância de regras claras na securitização de ativos e da atuação de advogados especializados em direito creditício. A comunidade econômica observa atentamente os desdobramentos, que podem influenciar decisões de credores e investidores no país. Compartilhe sua leitura sobre esse tema nos comentários: como você avalia os mecanismos usados para proteger ativos em situações de cobrança? Quais impactos você enxerga para o mercado de crédito e para as empresas envolvidas?

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