Família brasileira morta em ataque de Israel buscava pertences no sul do Líbano

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Resumo: uma família brasileira-libanesa foi atingida por um bombardeio no sul do Líbano, em Burj Qalowayh, durante o atual ciclo de hostilidades na região. As vítimas são Manal Jaafar, 47 anos; Ali Ghassan Nader, 11; e Ghassan Nader, 57. Os corpos ainda não haviam sido encontrados entre os escombros da casa, que ficou totalmente destruída, conforme relatos de moradores e fontes da imprensa brasileira.

De acordo com as informações apuradas, a família deixara a residência de forma apressada no início da nova fase do conflito, em 2 de março, refugiando-se inicialmente em Beirute. Eles haviam chegado ao sul do Líbano apenas no sábado anterior, dia 25, para buscar roupas e pertences antes de retornar a Beirute. O episódio reacende a dificuldade de retorno de civis a áreas atingidas pela violência.

O irmão da família, Bilal Nader, de 43 anos, natural de Líbano e morador de Foz do Iguaçu, no Paraná, explicou que ele pretendia voltar no mesmo dia, mas acabou dormindo na casa para regressar no domingo, quando ocorreu o bombardeio. Bilal descreveu o momento de tensão com o carro já preparado, pronto para transportar itens de volta, mas tudo foi interrompido pelo ataque repentino.

Um dos impactos da tragédia foi o ferimento de Kassam Nader, 21 anos, filho do casal, que estudava computação no Líbano e recebeu alta hospitalar apenas nesta semana. Os outros dois filhos mais velhos, com 28 e 26 anos, já vivem e trabalham no exterior. Bilal reforçou que o irmão não tinha vínculos com partidos políticos e vivia de forma reservada, dedicada à oliveicultura na região, além de manter muitos amigos em diversos estados brasileiros.

Na visão de Bilal, a região onde o irmão morava não costumava ser palco de combates recentes, ao contrário das áreas mais próximas da frente de conflito. Ele destacou ainda que, ao redor da residência, predominavam construções civis e gente comum, não estrutura militar, o que torna o ataque especialmente duro para a comunidade local.

Em Brasil e Líbano, a repercussão é grande. A Embaixada de Israel no Brasil não respondeu até o fechamento desta reportagem sobre o bombardeio à residência da família brasileira no sul do Líbano. O Líbano abriga a maior presença de brasileiros no Oriente Médio, com cerca de 22 mil brasileiros registrados em 2023, segundo dados do Ministério das Relações Exteriores. O Brasil condenou os ataques durante a vigência do cessar fogo.

Sobre a trajetória da família, sabe-se que viveram no Paraná por mais de 15 anos entre 1995 e 2008. Manal Jaafar adquiriu a nacionalidade brasileira ao longo desse período, enquanto Ghassan Nader permaneceu sem a naturalização, por questões de tempo. Amigos brasileiros destacam o interesse de Ghassan por economia e cultura; aliás, Ali Farhat, jornalista libanês naturalizado brasileiro, descreveu Ghassan como alguém altamente culto e engajado com a comunidade libanesa no Brasil, além de empresário no setor de eletroeletrônicos quando moravam aqui.

A violência na região envolve o conflito entre Israel e o Líbano, com o Hezbollah atuando como grupo político e militar xiita. O cessar-fogo costurado no Líbano recebeu críticas por violações, enquanto o Irã pressionou por um acordo que inclua o Líbano. Em meio aos choques, a postura de Israel de ocupar parcialmente o sul do Líbano, até o rio Litani, foi apresentada pelas autoridades de Tel Aviv como uma estratégia de proteção contra ataques do Hezbollah, enquanto especialistas apontam para a possibilidade de deslocamento forçado de civis como uma violação de direito humanitário.

Entenda-se que a atual fase do confronto teve origem em outubro de 2023, quando o Hezbollah reagiu a ações no norte de Israel em solidariedade aos palestinos na Faixa de Gaza. Em novembro de 2024 houve a costura de um cessar-fogo, ainda que não respeitado pela parte israelense. Em abril, um novo acordo foi anunciado, mas ataques continuaram, segundo informações internacionais. A história do conflito envolve décadas de tensões entre Israel e o Líbano, com várias ofensivas e deslocamentos que marcaram a região.

Para a comunidade brasileira no exterior, casos como este trazem à tona o peso humano da guerra: famílias que buscam pertencer em dois mundos, vivendo entre Beirute, o Sul do Líbano e cidades brasileiras onde deixaram marcas de vida, trabalho e amizade. O luto, porém, não apaga a história de uma família que viveu entre culturas, estudou e contribuiu para as redes de brasileiros no exterior.

Convido você, leitor, a compartilhar sua opinião sobre as consequências humanitárias de conflitos assim e sobre o papel de estados e comunidades no cuidado com civis deslocados e famílias que sofrem com a violência. Qual deveria ser o caminho para proteger moradores em áreas de risco? Deixe seu comentário e participe da discussão.

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