Após 26 anos, acordo Mercosul-UE passa a valer a partir desta sexta

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Resumo rápido: após 26 anos de negociações, o acordo entre Mercosul e União Europeia entra em vigor nesta sexta-feira, 1º de maio de 2026, com a eliminação de tarifas para mais de 80% das exportações brasileiras. A implementação é provisória, mas já amplia o alcance de empresas brasileiras para um mercado de mais de 700 milhões de consumidores, fortalecendo a indústria e a competitividade no exterior. O anúncio vinha acompanhado de perspectivas de regras comuns de comércio e maior previsibilidade para negócios, além de sinalizar um marco estratégico para a integração regional.

A assinatura do texto ocorreu no fim de janeiro, em Assunção, no Paraguai, entre representantes do Mercosul e da União Europeia. A aplicação prática, porém, depende de avaliação jurídica pela Justiça da União Europeia, que pode levar até dois anos para concluir a conformidade do acordo com as normas do bloco. Enquanto isso, o mecanismo atual funciona de forma provisória, permitindo que empresas comecem a explorar as novas oportunidades comerciais já neste momento.

Na prática, a fase inicial elimina tarifas para mais de 5 mil produtos brasileiros, incluindo itens industriais, alimentos e matérias-primas. A estimativa é de que mais de 80% das exportações brasileiras para a Europa fiquem livres de impostos de entrada desde já, o que reduz os custos finais e aumenta a competitividade frente a rivais internacionais. Entre os produtos com tarifa zero já incluídos estão bens industriais, alimentos e componentes-chave usados pela indústria.

Entre os quase 3 mil itens com tarifas zeradas desde o começo, cerca de 93% são bens industriais, indicando que a indústria brasileira é a principal beneficiada no curto prazo. Os setores com maior impacto imediato incluem máquinas e equipamentos, alimentos, metalurgia, materiais elétricos e químicos. Em especial, itens como compressores, bombas industriais e peças mecânicas devem entrar no mercado europeu sem tarifas, elevando a competitividade de cadeias produtivas nacionais.

O acordo expande o mercado de atuação para além das fronteiras, conectando unidades econômicas com mais de 700 milhões de consumidores e um PIB conjunto trilionário. Estima-se que, hoje, acordos com outros países representem cerca de 9% das importações globais; com a entrada da União Europeia, esse potencial pode ultrapassar 37%, ampliando significativamente o peso do Brasil no comércio mundial. Além da eliminação de tarifas, o tratado estabelece regras comuns para comércio, padrões técnicos e compras governamentais, o que traz mais previsibilidade para as empresas.

A implementação é gradual para reduzir choques de adaptação: em alguns setores, as reduções serão concluídas em até 10 anos para a União Europeia, até 15 anos para o Mercosul e, em certos casos, até 30 anos. Esse cronograma visa permitir ajustes internos e proteger setores mais vulneráveis à concorrência internacional, mantendo o equilíbrio entre abertura comercial e capacidade produtiva da região.

Os próximos passos envolvem definir detalhes operacionais, como a distribuição de cotas de exportação entre os países do Mercosul, além de acompanhar a implementação com a participação de entidades empresariais de ambos os blocos para orientar as empresas e maximizar os benefícios das novas oportunidades. Durante a cerimônia de promulgação do decreto de promulgação do acordo, realizada na terça-feira anterior, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ressaltou o caráter estratégico do tratado, afirmando que ele reforça o compromisso com o multilateralismo e a cooperação internacional.

Para a cidade e a região, a expectativa é de maior dinamismo econômico, com mais oportunidades para pequenas, médias e grandes empresas explorarem novos mercados. Empresários e associações já se preparam para mapear linhas de crédito, cadeias de suprimento e normas técnicas que facilitarão a entrada de produtos brasileiros na União Europeia. O governo sinaliza que a implementação contará com monitoramento constante para garantir que as regras sejam seguidas e que as vantagens cheguem aos produtores locais.

Qual é a sua leitura sobre esse acordo? Você acredita que suas empresas podem se beneficiar com a tarifa zero e as novas regras de comércio? Compartilhe suas experiências, dúvidas ou perspectivas nos comentários abaixo para enriquecer a discussão sobre a integração entre Mercosul e União Europeia.

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