Moradores, trabalhadores e representantes sindicais realizaram nesta sexta-feira uma manifestação em São Paulo para pedir o fim da escala de trabalho 6 por 1 no Congresso Nacional e cobrar ações efetivas contra o feminicídio. A mobilização, que reuniu centrais sindicais, movimentos sociais e atuantes da educação, destacou a necessidade de avançar na proteção de direitos e na redução da precarização do trabalho no Brasil.
O ato ocorreu na Praça Roosevelt, no centro da cidade, com adesão de professores, trabalhadores sem carteira assinada e pessoas de diversas regiões. Os presentes criticaram a atuação de parlamentares e cobraram aprovação de propostas que garantam jornadas mais humanas e o fim de contratos que retiram direitos, como os vinculados a pessoas jurídicas, o que alimenta a pejotização.
Entre as pautas, ganhou espaço a defesa da Consolidação das Leis do Trabalho e do regime CLT, frente à adoção de contratos sob a figura de Pessoa Jurídica ou MEI, que costumam reduzir férias remuneradas, 13º salário e a proteção em caso de doença. O Movimento Vida Além do Trabalho (VAT) e outras entidades destacam que essas situações prejudicam a qualidade de vida do trabalhador.
A proposta de ampliação da carga horária para 40 horas semanais, enviada pelo governo federal ao Congresso em abril, foi apresentada como marco da discussão sobre direitos trabalhistas. Os ativistas argumentam que a redução da jornada, acompanhada de fiscalização, pode evitar a desvalorização de salários e melhorar a participação social dos trabalhadores em lutas por igualdade.
A pesquisa O Trabalho no Brasil, realizada pela CUT, Fundação Perseu Abramo e outras entidades, aponta que 56% dos trabalhadores do setor privado sem carteira assinada já tiveram experiência com o regime CLT em algum momento, e 59,1% afirmaram que voltariam a ter registro em carteira se pudessem. A Vox Populi, em estudo com pessoas fora do mercado, revelou que 52,2% gostaria de retornar ao emprego e 57,1% prefeririam ingressar com carteira assinada.
Os números indicam ainda a confusão entre empreendedorismo e trabalho autônomo, com muitos participantes se autodeclarando empreendedores enquanto, na prática, estavam enquadrados como PJ, o que reforça a necessidade de políticas públicas claras para combater a precarização no mercado de trabalho.
Em meio à onda de feminicídios, os direitos das mulheres também ganharam destaque. A pedagoga Silvana Santana apontou que a violência de gênero tem raízes históricas associadas a estruturas coloniais que ainda afetam negras e negros no país. Ela reconhece avanços, mas critica o atraso e o alcance limitado das medidas públicas, defendendo ações mais ousadas para promover a emancipação de populações periféricas.
O movimento reforça que a proteção ao trabalho, a valorização da carteira assinada e o combate às desigualdades continuam em evidência no debate político e social. Enquanto o Congresso avalia propostas, a mobilização promete manter a pressão para que direitos sejam assegurados e que a economia atenda aos moradores da cidade como um todo, não apenas a setores específicos. E você, o que pensa sobre a direção das políticas trabalhistas no país?
