A Argentina registra um aumento de casos de hantavírus em 2026, mas especialistas asseguram que não há surto. O episódio envolve o cruzeiro MV Hondius, que partiu de Ushuaia em 1º de abril com 147 pessoas a bordo e que permanece ancorado diante de Cabo Verde como medida de prevenção. Embora haja mortes associadas, a avaliação médica indica que os números não configuram um surto nacional, mas sim casos isolados dentro de um quadro já conhecido pela vigilância sanitária.
O biólogo Raúl González Ittig, pesquisador do Conicet e professor da Universidade Nacional de Córdoba, afirma que a hantavírus continua presente na Argentina de forma habitual. O último boletim epidemiológico aponta 42 casos em 2026 e 101 no atual período epidemiológico, que vai de junho a junho, quase o dobro do mesmo intervalo do ano anterior (57). Segundo ele, não há registro de transmissão em grande escala; o relato mais relevante de transmissão entre pessoas ocorreu em Epuyén, no sul da Argentina, há vários anos.
Entre os aspectos relevantes está a presença do genótipo Andes, típico da região patagônica e associado a maior potencial de transmissão entre pessoas. Mesmo assim, especialistas destacam que não há evidências suficientes para confirmar que o contágio começou em Ushuaia, o que deixaria espaço para outras origens. O período de incubação pode variar de uma a várias semanas, chegando a 60 dias, complicando a identificação do foco inicial.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) informou sobre as três mortes ligadas a um possível surto de hantavírus a bordo do cruzeiro na travessia Ushuaia–Cabo Verde. Equipes internacionais realizam análises laboratoriais e estudos epidemiológicos para entender a possível transmissão entre pessoas, bem como a sequência do vírus. Enquanto isso, passageiros e tripulação recebem atendimento médico, com monitoramento contínuo pela equipe de saúde.
Sobre a doença, o Ministério da Saúde explica que a hantavirose é uma zoonose viral transmitida principalmente pela inalação de aerossóis contaminados por roedores. Não há tratamento específico; o manejo é de suporte, conforme a gravidade. A notificação é compulsória e deve ocorrer em até 24 horas. Em áreas de maior exposição, o uso de proteção individual — máscara, luvas, avental e óculos — é recomendado, além de medidas para evitar contato com ambientes contaminados por roedores.
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