Resumo: Alunos do internato da FMUSP aderem à greve e interrompem atendimentos nos Hospitais das Clínicas e Universitário, após a Polícia Militar retomar a posse da reitoria da USP. A mobilização destaca a cobrança por mudanças no apoio estudantil, na formação médica pública e na qualidade da assistência à população.
A paralisação envolve atividades práticas no HC e no HU, com o objetivo de protestar contra o programa Experiência HCFMUSP na Prática, que cobra R$ 8.450 por estágio para estudantes de faculdades privadas. Também é alvo do movimento o que chamam de sucateamento do HU, que perdeu cerca de 30% de seu quadro de funcionários nos últimos anos, e a demanda por melhorias no PAPFE e nos restaurantes universitários.
“Estamos diante de um processo de mercantilização do ensino médico público. O que deveria ser prioridade para os estudantes da universidade pública e para o atendimento da população está sendo transformado em produto.”
Durante o internato, os alunos realizam atividades como anamneses, exames físicos e rodízios por especialidades, sempre com supervisão. Com a paralisação, esses atendimentos ficaram suspensos, enquanto o movimento cobra respostas para as demandas apresentadas.
HC informou que a paralisação não impactou a assistência aos pacientes do complexo, e o HU não retornou até o fechamento desta matéria. Mesmo assim, a tensão entre a comunidade acadêmica e a gestão da universidade apareceu em diferentes frentes.
Ato na República
Nesta segunda-feira, os estudantes deram início a um ato em frente à reitoria da Unesp, na Praça da República, no centro da cidade. Embora a mesa de negociações com o Cruesp tenha sido cancelada de forma preventiva para preservar a integridade de todos, o ato seguiu com a participação dos grevistas.
Entenda a greve na USP
- Motivação principal: discordância com o reajuste do PAPFE, o auxílio socioeconômico aos estudantes.
- Benefícios atuais: R$ 885 por mês para quem não mora na moradia estudantil; R$ 330 para quem reside na instituição.
- Proposta dos estudantes: elevar o valor para R$ 1.804, equivalente a um salário mínimo paulista.
- Posição da reitoria: comunicado recente informou não aceitar o aumento do benefício e encerrou as negociações para esse tema e demais reivindicações.
A greve tem alimentado debates sobre permanência estudantil, condições de moradia universitária e a qualidade da alimentação nos restaurantes da região. A tensão entre quem atende à população e quem depende de políticas públicas de apoio permanece em evidência, com ruas da cidade abraçando a mobilização.
E você, o que pensa sobre o papel do auxílio perseverante na formação dos médicos e no serviço público de saúde? Deixe sua opinião nos comentários e participe do debate sobre o futuro da educação superior e da assistência à população.
