Um ataque a tiros em Manipur, nordeste da Índia, tirou a vida de três pastores batistas e deixou ao menos cinco feridos quando o comboio retornava de uma conferência de paz entre cristãos tribais. O incidente, ocorrido na manhã de 13 de maio de 2026, acentuou a vulnerabilidade de pessoas religiosas envolvidas em tentativas de reconciliação em uma região marcada por conflitos étnicos. As investigações estão em curso e nenhum suspeito foi preso até a noite de quarta-feira.
As vítimas pertenciam à Associação Batista Thadou da Índia (TBAI). Entre eles estavam o Rev. Dr. Vumthang Sitlhou, presidente da TBAI, e os Pastores Kaigoulun Lhouvum (secretário de finanças, juventude e música) e Paogoulen Sitlhou (superintendente). Um dos feridos é o Rev. SM Haopu Sitlhou, com mais dois encaminhados a hospitais em Imphal para atendimento especializado. O ataque ocorreu entre as aldeias Kotzim e Kotlen, na rodovia Imphal-Tamenglong, quando o transporte avançava em direção a Kangpokpi, cerca de 96 quilômetros ao norte.
Líderes religiosos e autoridades regionais condenaram o ataque, considerando-o um golpe violento contra o esforço de reconciliação. O Ministro-Chefe de Manipur, Yumnam Khemchand Singh; o Vice-Chefe de Governo, Losii Dikho; e o Ministro do Interior, Govindas Konthoujam, visitaram os feridos e anunciaram que o estado arcará com as despesas médicas. Organizações cristãs da região e nacionais também pediram orações e proteção para os moradores afetados.
O contexto é de violência étnica que desde 2023 tem atingido Manipur, com conflitos entre Meitei e povos tribais cristãos das colinas. Recentemente, tensões entre povos Kuki-Zo e Naga pioraram na região de Ukhrul, enquanto facções armadas como NSCN-IM e ZUF atuam no cenário. A autoria do atentado é alvo de disputas entre grupos da região, com acusações cruzadas envolvendo ZUF-Kamson, NSCN-IM e representantes Meitei. O UNC, principal órgão cívico Naga, condenou o ataque e pediu a libertação de civis detidos, enquanto o Fórom Cristão Unido do Nordeste criticou o episódio como um golpe contra a fé e a paz local.
O ataque provocou manifestações, bloqueios de rodovias e paralisações em áreas habitadas por moradores Kuki-Zo. Três pastores mortos foram considerados por lideranças locais como Martyrs Thadou, evidenciando a complexidade regional. Um dia antes, o Rev. Sitlhou participara de discussões para a paz com líderes Naga em Churachandpur, reforçando que o assassinato chega em momento de fragilidade das frentes de reconciliação na região.
Manipur ainda busca paz após anos de deslocamentos e violência. O que você pensa sobre os esforços de reconciliação entre povos da região? Deixe seu comentário, compartilhe suas ideias e ajude a entender este momento delicado da região.
