Um dos principais nomes do maior golpe hacker já registrado contra o sistema financeiro brasileiro foi colocado em liberdade provisória na Espanha. Ítalo Jordi dos Santos Pireneus, o “Breu”, e mais seis integrantes do grupo permanecem à disposição da Justiça brasileira, enquanto o país encara o atraso no envio de documentos de extradição. Estima-se que o desvio chegue a cerca de 813 milhões de reais, parte convertido em criptomoedas.
O acordo bilateral entre Brasil e Espanha, vigente desde 1988, determina que o pedido de extradição seja formalizado em até 80 dias após a prisão. Como os mandados foram expedidos em 17 de outubro do ano passado, o prazo terminaria em 5 de janeiro de 2026. No entanto, os documentos só chegaram à Justiça espanhola em 19 de janeiro, com atraso de 14 dias, levando à soltura provisória em 16 de janeiro.
O grupo foi detido em 30 de outubro, em Madri, durante a segunda fase da operação Magnas Fraus, da Polícia Federal. Além do montante desviado, os suspeitos teriam convertido parte do dinheiro em criptomoedas. A tramitação foi prejudicada por uma falha judicial em São Paulo, que chegou a cancelar mandados e retirar os nomes da difusão vermelha da Interpol, dificultando a cooperação internacional.
Diante do risco de fuga, PF e Ministério Público trabalham para acelerar os trâmites de extradição. A defesa mantém que o suspeito continua à disposição da Justiça brasileira na Espanha. O caso reacende a discussão sobre a eficiência dos procedimentos entre Brasil e Espanha em crimes cibernéticos de grandes valores e a necessidade de maior agilidade institucional para evitar impasses semelhantes.
