Resumo: a fintech Naskar seria vendida para a Azara Capital LLC por 1,2 bilhão de reais, mas a operação levanta suspeitas na cidade. Investidores, cerca de 3 mil pessoas, teriam mais de 900 milhões sob gestão. O pagamento prometido não ocorreu e o aplicativo da empresa permanece fora do ar.
Reportagens apuraram que no Brasil o prédio do Complexo Brasil 21, em Brasília, não abriga nenhuma Azara nem Douglas Azara. Em salas 501 e 512 funciona um coworking chamado Concept Offices, que confirmou não ter contrato com a Azara nem com a pessoa associada a esse nome. Cadastros indicam endereços diferentes, sem relação com a Azara Capital LLC.
No exterior, o site da Azara Capital LLC aponta o endereço 1000 Brickell Avenue, em Miami, mas não há confirmação de escritório ou diretores. Pesquisas móveis indicam que o endereço fica em um centro empresarial, sem registro claro da Azara. Além disso, o e-mail de contato informado não funciona e a Azara não aparece como regulada pela SEC ou FINRA.
Quem se apresenta como dono da Azara é Douglas Silva de Oliveira, de 25 anos, com domicílio no Distrito Federal e em Uberlândia. Ele aparece como administrador ou sócio de pelo menos 12 empresas brasileiras, envolvendo fintechs, propriedades e transporte, com capitais somados estimados em 2,4 bilhões de reais. A renda mensal declarada, porém, é de apenas 1,8 mil reais.
O caso Naskar envolve uma fintech com 13 anos de atuação que prometia rendimentos de 2% ao mês, muito acima da média. Investidores com aplicações expressivas recebiam promessas de retornos elevados, como 20 mil reais mensais para quem investisse 1 milhão. No início desta semana, o pagamento não foi feito, e os sócios listados – Marcelo Liranco Arantes, Rogério Vieira e José Maurício Volpato (Maurício Jahu) – não responderam. O aplicativo ficou fora do ar desde 6 de maio, e a empresa mudou de endereço sem avisar os clientes, conforme apurado pelo Metrópoles.
Em 14 de maio, a Naskar anunciou que a Azara Capital compraria a fintech por 1,2 bilhão de reais e que os clientes receberiam o ressarcimento a partir de 18 de maio. A Azara mostra inconsistências, como a ausência de nomes de diretores no site, endereço de Miami sem confirmação e um perfil no Instagram criado há apenas três meses, o que aumenta as dúvidas sobre a operação.
A reportagem também apurou que a TRX Investimentos Real Estate, ligada a um grupo distinto, afirmou não ter qualquer relação com a Azara ou empresas do mesmo grupo. Em nota, a TRX disse que há apenas coincidência de nomes entre as instituições.



