O líder do Hezbollah, Naim Qassem, afirmou que há sinais de um possível acordo entre os Estados Unidos e o Irã que incluiria um cessar-fogo no Líbano. Ele pediu ainda que o governo libanês abandone as negociações com Israel antes do quarto ciclo de diálogos programado para começar em Washington no início de junho.
Em discurso televisionado neste domingo, Naim Qassem afirmou que, apesar da esperança de um acordo mais amplo, o desarmamento do Hezbollah seria inaceitável e equivalente à aniquilação do grupo e de seu povo. Ele ressaltou que o monopólio estatal das armas, mantido pelo governo libanês, é visto por muitos como uma proteção à resistência, não um caminho para entregar o Líbano a potências externas, e ligou essa posição a um projeto israelense.
Qassem reiterou que o desarmamento implicaria a zerar a capacidade de defesa do Líbano e da própria resistência. Segundo ele, manter o controle sobre as armas do país é visto como essencial para resistir a agressões externas, o que, na leitura dele, entra em choque com qualquer tentativa de desarmar o Hezbollah.
O líder também afirmou que as negociações com Israel, que ocorrem em Washington, beneficiam apenas Israel e representam uma punhalada pelas costas para o seu grupo. Ele insistiu no pedido às autoridades libanesas para abandonar as tratativas até que haja garantias de proteção à região.
A declaração ocorre num contexto de tensões acentuadas após ataques israelenses contra o Líbano, registrados entre 20 e 21 de fevereiro, que causaram danos em Bednayel, no Vale do Bekaa, no leste libanês. O presidente do Líbano, Joseph Aoun, condenou os ataques, enquanto um parlamentar do Hezbollah pediu a Beirute que suspenda as reuniões com o comitê que monitora o cessar-fogo de um ano com Israel, reforçando a vigilância sobre as negociações regionais.
