“Se fosse da minha barriga, iria devolver?”: a adoção que fugiu da regra em MG

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Belo Horizonte – A adoção de crianças e adolescentes com deficiências ainda enfrenta longas esperas, mas histórias como a de Renan mostram que é possível transformar vidas com afeto, organização familiar e apoio da comunidade. Em 2013, Maria do Carmo da Paixão Meijon Campolina, 58, e sua companheira Elaine Flausino Meijon Campolina da Paixão, 48, adotaram três irmãos, entre eles Renan, que chegou com paralisia cerebral.

A adoção mobilizou amigas, colegas de trabalho e moradores. Hospitais e escolas abriram portas para campanhas de apoio financeiro, e a comunidade ajudou a terminar a casa que acolhera o menor. O casal chegou a cogitar contratar cuidadores, mas decidiu manter o cuidado familiar, com a Renan recebendo atenção diária.

Durante 11 anos, Maria do Carmo e Elaine se revezaram na criação dos filhos, enfrentando dificuldades financeiras e emocionais. Há cerca de dois anos, a rotina mudou: Elaine passou a trabalhar em regime de 12×36, e eles passaram a se revezar para garantir os cuidados com Renan. Hoje, aos 15 anos, Renan vive com a família, apoiado pela rede que ajudou no caminho.

A fila por adoção em Minas Gerais mostra o desafio: pelo menos 180 crianças e adolescentes acolhidos e aptos para adoção possuem deficiências físicas ou mentais. Segundo o TJMG, existem 576 acolhidos aptos para adoção no estado, com números diferenciados nas varas de Belo Horizonte. Há poucos pretendentes para perfis com maiores necessidades, o que prolonga o tempo de espera.

Destino daqueles que aguardam é tema de debate na cidade: há casos de crianças e adolescentes dependentes de atendimento contínuo, com necessidades médicas complexas e apoio multiprofissional. A Justiça de BH aponta que muitos acolhidos vivem em três unidades especializadas na cidade, que atendem casos de alta dependência, e que, muitas vezes, famílias em situação de vulnerabilidade não conseguem assumir permanência prolongada.

Adaptação no Brasil e em Minas – desde 2019, o Brasil adotou 33.268 crianças e adolescentes. Desses, 633 tinham deficiência intelectual, 180 tinham deficiência física e intelectual, e 283 tinham deficiência física. Em Minas Gerais, o total de adoções desde 2019 chega a 2.974, com dezenas de casos envolvendo deficiência intelectual ou física.

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