Veja como a Marinha forma mergulhadores de elite e combate o tráfico

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A formação dos mergulhadores da Marinha, uma das mais exigentes do país

A formação dos mergulhadores da Marinha é uma das etapas mais duras da carreira naval. Em média, leva quase um ano para que um profissional esteja apto a atuar em operações subaquáticas, sob condições desafiadoras e em ambientes de alta pressão.

Entre os avanços disciplinares, destaca-se a vigilância contínua por meio de missões que vão além do simples reparo de cascos: os escafandristas também combatem o tráfico de drogas escondido em compartimentos conhecidos como sea chests, usados para captar água e resfriar o maquinário das embarcações. O trabalho é feito em alto mar, a poucos metros de profundidade, sob visibilidade residual e perto de navios que cruzam rotas para a Europa e a Ásia.

Mergulhadores em treino sob casco
Marinha/Divulgação
Operação de combate ao tráfico subaquático
Divulgação / Polícia Federal
Treinamento e abordagem a navios
Divulgação/Polícia Federal

A atuação dos mergulhadores ficou mais commonplace na luta contra o narcotráfico: desde 2020, o Comando do Grupamento de Patrulha Naval do Sul-Sudeste, em Santos, tem contribuído para apreensões expressivas, somando mais de quatro toneladas em cerca de 300 navios abordados, em parceria com a Polícia Federal e a Receita Federal.

A última operação, em maio deste ano, detectou mais de 340 quilos de cocaína escondidos em uma cavidade submersa do navio Green K-Max 1, durante a checagem no Porto de Santos. Em abril de 2023, um único navio já havia apresentado a soma de 780 quilos apreendidos.

Segundo um mergulhador com 23 anos de atuação, o saque é um dos mais significativos da área, e o trabalho é feito com sigilo e segurança para evitar riscos aos integrantes.

Trabalho em ambiente hostil

“Nossa atividade diária é operar sob os cascos dos navios da Marinha para executar reparos e manutenções. Somos referência nesse tipo de operação”

Mesmo com o foco no narcotráfico, o treinamento abrange técnicas de salvamento, corte e solda submarina, resgate de embarcações e aeronaves e diversas modalidades de mergulho. A cada dia, os militares aprendem a lidar com equipamentos complexos em condições extremas.

Metade desiste no caminho

A formação dos escafandristas é extremamente exigente: cerca de metade dos candidatos não chega ao final. Os testes são desafiadores, com provas de resistência, apneia e controle emocional sob pressão embaixo d’água. Antes de iniciar a especialização, passa-se por exames médicos, avaliações psicológicas e testes físicos rigorosos.

Em um único dia, as provas incluem corrida, natação, apneia estática e dinâmica, além de exercícios de força. A Marinha estima que leva em torno de 12 meses para formar o profissional apto a atuar em operações subaquáticas.

“Os candidatos são submetidos a diversos testes debaixo d’água, muitas vezes com privação de respiração e tempo reduzido para concluir tarefas. O controle emocional e o domínio do ambiente aquático são fundamentais”

Após a formação, os mergulhadores podem ser designados a unidades em todo o país, realizando desde salvamento de vidas até reparos submarinos e apoio a operações de combate ao crime organizado.

Prontos para qualquer missão

A disciplina rigorosa transforma os mergulhadores em referência tanto no meio militar quanto no civil, com a capacidade de atuar sob adversidades, muitas vezes com recursos limitados. O treinamento contínuo permite que autorizem operações com alto grau de complexidade e risco.

Os profissionais saem com habilidades que vão de salvamento a intervenções técnicas em ambientes marítimos, prontos para enfrentar qualquer desafio que o mar imponha.

E você, quais são os impactos dessa formação tão exigente na segurança marítima do país? Compartilhe sua opinião nos comentários.

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