Barbacena fecha antigo manicômio e encerra 115 anos de horror em MG

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Barbacena encerra 115 anos de história de tratamento psiquiátrico com o fechamento definitivo do Hospital Colônia e a transferência de 14 pacientes para residências terapêuticas, sinalizando a conclusão de uma era de privação de liberdade na saúde mental mineira. O episódio marca a transição para um modelo de cuidado em liberdade, com foco em dignidade, acolhimento e acompanhamento na região.

Inaugurado em 1903 como Sanatório de Barbacena, o espaço tornou-se, em 1911, o Hospital-Colônia, o primeiro hospital psiquiátrico público de Minas. Ao longo do século XX, chegou a abrigar até 3.500 pacientes; entre 1942 e 2020, cerca de 40 mil pessoas passaram pela instituição e mais de 24 mil morreram. O local ficou conhecido como símbolo de isolamento e exclusão, memória preservada no Museu da Loucura para que o passado não se repita.

O momento de mudança é lembrado por quem viveu o processo. O enfermeiro Mário Antônio Resende, supervisor de internação, participou da desinstitucionalização dos últimos 14 pacientes, todos com idade média de 73 anos. Fora do ambiente hospitalar, eles seguirão com moradia, acolhimento e acompanhamento especializado em residências terapêuticas.

“O sentimento foi de muita alegria e gratidão. Todos ficamos emocionados. Esses 14 pacientes passaram, em média, 49 anos internados. Alguns chegaram ainda crianças. Encerramos um processo longo de desinstitucionalização e conseguimos reinseri-los na sociedade com liberdade.”

O hospital destacou a importância da equipe multiprofissional que cuidou das pessoas ao longo dos anos. Com a conclusão da desinstitucionalização, os 14 sobreviventes iniciam uma nova etapa, com atenção contínua em serviços terapêuticos fora do ambiente hospitalar.

Desde 2019, o Governo de Minas, por meio da SES-MG e da Fundação Hospitalar do Estado (Fhemig), vem promovendo a desinstitucionalização. Ao todo, 68 pacientes já receberam alta para Serviços Residenciais Terapêuticos nos municípios de Barbacena, Antônio Carlos, Carandaí e Ibertioga. Os 14 últimos representam o encerramento definitivo dos leitos de longa permanência no antigo Colônia.

O Complexo Hospitalar de Barbacena, que continua em funcionamento, passa a atuar com foco em alta complexidade: 90 leitos (sendo 20 de UTI), serviços de urgência e emergência, referência em trauma, neurocirurgia e traumato-ortopedia. O ambulatório realiza cerca de mil consultas por mês, além de 30 leitos psiquiátricos para casos agudos com permanência média de até 21 dias.

O ato simbólico de encerramento incluiu a apresentação de um painel com as mãos dos pacientes e o fechamento de uma porta com cadeado, sinalizando o fim de um modelo assistencial ultrapassado. O estado investiu mais de R$ 718 milhões em saúde mental nos últimos anos, com R$ 100 milhões destinados a 2025. Hoje, Minas conta com 453 CAPS atuando em diversas regiões para atender a população.

Para os 14 sobreviventes, nasce uma nova etapa de vida com moradia estável, proteção e respeito à dignidade humana, longe dos muros que os prenderam por décadas.

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