Uma ONG ligada à produtora do filme Dark Horse contratou o advogado de Mario Frias (PL-SP) para prestar serviços em um evento financiado por emenda de vereador pela Prefeitura de São Paulo, em meio a uma operação da Polícia Civil que apura desvios na instalação de wi?fi na cidade. A investigação aponta a possibilidade de o contrato ter sido usado para bancar o filme sobre Jair Bolsonaro, produzido por Frias.
Além disso, o Instituto Conhecer Brasil (ICB) atua na organização de eventos pagos com emendas parlamentares. O escritório Fábio Lago Meirelles foi contratado para prestar serviços no evento Riefa (Rumos da Inovação na Educação do Futuro Agora), realizado no ano passado, pelo valor de R$ 50 mil.
Meirelles atua como defensor de Frias em ações na Justiça Eleitoral e na Justiça comum, com processos entre 2022 e 2026. Entre os casos, está a defesa de Frias em ação movida pela cantora Ludmilla por postagens em redes sociais, na qual Frias venceu a ação.
O jornal O Estado de S. Paulo já apontou que uma emenda de Frias teria sido usada para pagar o mesmo advogado, em valor de R$ 80 mil.
Segundo o Metrópoles, o evento patrocinado pela Prefeitura que contou com a atuação de Meirelles, o Riefa, custou R$ 750 mil, bancado pela emenda do vereador André Santos (Republicanos). As empresas de Eduardo Ferreira Franco, conselheiro do ICB, receberam R$ 445 mil para vídeo, conteúdo para metaverso, locação de equipamentos e cenografia.
A edição de 2025 do Riefa teve gastos inflacionados: palestrantes passaram de R$ 66 mil para R$ 170 mil (alta de 157,6%), produção de vídeo de R$ 48 mil para R$ 148 mil (208,3%), e o conteúdo de metaverso mais que dobrou, de R$ 85,5 mil para R$ 181,5 mil (112,3%).
Apesar do alto investimento, o público foi limitado: a transmissão ao vivo de dois dias no YouTube, com cerca de 4 mil inscritos, não chegou a 2 mil visualizações; os cortes dos palestrantes oscilaram entre 30 e 1,2 mil visualizações.
O ICB afirmou ter cumprido integralmente o mandado e colocado-se à disposição para fornecer documentos e esclarecimentos. A entidade diz ter contratado perícia e auditoria especializadas para apoiar as investigações e confia que a análise demonstrará a regularidade das ações, a correta aplicação dos recursos e a inexistência de desvio de finalidade.
A reportagem tentou ouvir Frias, Meirelles e André Santos, mas não obteve retorno até a publicação. O espaço está aberto para eventuais esclarecimentos. E você, o que pensa sobre o uso de emendas parlamentares para financiar eventos e produções culturais? Compartilhe sua opinião nos comentários.
