A ONG Instituto Conhecer Brasil (ICB) é alvo de investigação pela Polícia Civil de São Paulo, que investiga possível desvio de recursos na licitação para instalação de wi-fi em áreas periféricas da cidade. A apuração envolve a Ultra IP e outras empresas subcontratadas, com suspeitas de superfaturamento, aditivos e uso de notas fiscais irregulares. A investigação também liga parte dos recursos a uma produção cinematográfica sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.


Segundo a defesa da ONG, a Ultra IP passou a agir de forma questionável após reduzir o número de pontos previstos no acordo, o que motivou a cobrança de valores adicionais. A ICB chegou a registrar um boletim de ocorrência e enviou uma notificação extrajudicial à Ultra IP, denunciando suposto descumprimento contratual e danos ao interesse público. A polícia também investiga se parte dos pagamentos foi destinada a custear a produção de um filme, ainda sem conclusão de provas.
A Ultra IP afirma que a relação com o ICB já vinha tensa desde a renegociação do número de pontos e que o ICB retém pagamentos já efetuados, enquanto a empresa afirma ter prestado os serviços acordados com pontos em funcionamento. Parte das acusações envolve a suposta ordem de derrubada de sinal de cerca de 800 links de internet, em 26 de setembro, sem que haja explicação clara sobre a origem dessa ordem ou provas de sua execução.
O contrato original previa a instalação de 5 mil pontos de wi-fi gratuitos; ao longo de três aditivos esse total foi reduzido para 3,2 mil pontos. Mesmo com as mudanças, a vigilância apura irregularidades em valores cobrados, como manutenção estimada em R$ 1.800 por mês por ponto — cifra consideravelmente superior à cobrança da Ultra IP e muito acima do que a Prodam, braço de tecnologia da prefeitura, cobrava (R$ 306 por ponto).
Outros pontos sob escrutínio incluem pagamentos antecipados de até R$ 26 milhões por serviços não prestados e uso potencial de notas fiscais irregulares para justificar despesas de aproximadamente R$ 4,7 milhões. O caso envolve ainda a discussão sobre os R$ 108 milhões pagos pela SMTI (Secretaria Municipal de Tecnologia e Inovação), com suspeitas de desvio para financiar o filme Dark Horse, produzido pela Go Up Entertainment, que tem Karina Ferreira Gama entre os envolvidos.
A notícia em curso não consolidou provas nem definiu culpados: a polícia continua as investigações, e as partes envolvidas apresentam versões opostas sobre o cumprimento do contrato, os pagamentos e a real necessidade de reajustes. O desfecho depende de novas evidências, perícias e testemunhos que possam esclarecer onde ficaram os recursos públicos e qual foi o papel de cada empresa no empreendimento.
Aos leitores, fica a pergunta: você acompanha casos de licitações com uso de recursos públicos para projetos de tecnologia e produção cultural? Compartilhe sua opinião nos comentários e conte o que você acha que precisa ser esclarecido para entender melhor esse complexo episódio.
