Três mulheres do núcleo feminino do PCC, atuando na Baixada Santista, foram presas em operação policial. Malévola, Penélope e Medusa ocupavam posições-chave, conectando núcleos, tribunais do crime e rotas de drogas, com atuação que alcança setores estaduais e municipais.
Ligia Sanches Moro, conhecida como Malévola, era o elo central entre núcleos da facção, organizando demandas e repassando informações essenciais para manter a atividade do PCC na Baixada e no Vale do Ribeira. A prisão dela, junto ao filho, expõe a logística de recebimento, contabilidade e redistribuição de drogas, com documentos descrevendo-a como figura proeminente na liderança.
“No tocante às mulheres ocuparem esses setores de destaque, como disciplinas, surge basicamente pela confiabilidade maior do que os homens, além do crime organizado se valer delas por passarem supostamente desapercebidas.”
As investigações indicam que Malévola e o filho eram responsáveis pela contabilidade, recebimento e redistribuição de drogas aos pontos de venda vinculados à organização criminosa. O registro no TJSP aponta que o filho permanece preso desde julho de 2024 por tráfico de drogas, com outras acusações pendentes.
Penélope (Ariane de Pontes Rolim, também chamada Pandora) chefiava os chamados disciplinas da facção nos chamados tribunais do crime, revelando a dinâmica de trabalho pela qual a facção administra julgamentos paralelos. Prints de WhatsApp mostram grupos restritos discutindo ocorrências locais — como invasões, brigas entre vizinhos e fugas — e registrando desfechos que variavam de orientação a cobranças físicas, com imagens de homens baleados servindo como prova de punições.
Medusa, Talita da Silva Costa, era a disciplina em Peruíbe e detinha a palavra final sobre questões do PCC no âmbito municipal, incluindo transações de drogas e punições a desafetos. A operação Acato, deflagrada pela Dise de Itanhaém, prendeu-a em Mongaguá; foram apreendidos três celulares e uma touca balaclava. A investigação aponta Jerusalém como chefe da operação, com mensagens de áudio revelando temores de identificação e a busca por aparelhos mais seguros, como iPhones.
As investigações também destacam o uso de conversas no WhatsApp para estruturar o “tribunal do crime” e gerir a movimentação regional da facção, com boletins de ocorrência simulados que orientavam decisões entre membros. A operação Acato Civil reforça o empenho das autoridades em desbaratar esse elo da organização no litoral paulista.








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