Manifestantes de movimentos por moradia realizaram nesta terça-feira (9/6) um ato em frente ao Ministério das Cidades, em Brasília, em busca de diálogo com o governo. O grupo, que atua nacionalmente para ampliar moradias via programas públicos, relatou plantão de uma manhã de tensão, com dispersão rápida pela PM e sem detidos até o momento. O episódio marcou a continuidade de uma mobilização que envolve centenas de famílias e entidades em todo o país.
A manifestação na Esplanada reuniu famílias de várias entidades, incluindo MLB, UMM-SP e Cufa, entre outras. De acordo com a Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF), houve tentativa de invasão ao prédio, o que foi contido pela segurança. Já os manifestantes indicam que o ato ocorria de forma pacífica, sob a marquise, sem qualquer entrada forçada ao edifício.
“Hoje resolvemos ir para o Ministério das Cidades para poder, aqui de perto, tentar o diálogo, quando fomos recebidos novamente pela Polícia Militar de maneira muito truculenta”, afirmou Thiago Gallo, coordenador da União dos Movimentos de Moradia de São Paulo (UMM-SP).
Em relatos distribuídos pelos militantes, o grupo sustenta que estiveram sob a marquise e que não houve invasão. A gente estava embaixo da marquise, em momento nenhum entramos. A polícia já saiu jogando gás em quem estava ali na frente, descreveu Fábio Padilha, da Central Única das Favelas (Cufa).
“Tinha pessoas com a mão no vidro, mas de maneira nenhuma tentando forçar a porta. Como eu disse, é um ato pacífico. A gente acredita que o governo esteja do nosso lado, junto com o povo”, afirmou Padilha.
Poliana Souza, do MLB, criticou a resposta policial e a falta de diálogo imediato. “Nós, 350 famílias, fomos recebidos pela repressão em vez de uma conversa para resolver o problema”, desabafou. Ela contou que a presença de manifestantes vulneráveis ampliou a preocupação com a sensibilização das autoridades para soluções habitacionais.
O ato em Brasília integra uma mobilização nacional iniciada em 8/6, reunindo organizadores como MLB, MTD, Conam, UNMP e MNLM. A pauta central é ampliar as contratações do programa Minha Casa, Minha Vida Entidades, financiado pelo Fundo de Desenvolvimento Social. Enquanto líderes afirmam ter apresentado cerca de 100 mil propostas, o governo sinaliza que, com o orçamento vigente, apenas 21 mil a 35 mil moradias podem sair, correspondendo a 30%–35% do total reivindicado.
Os manifestantes criticam o que veem como contradição entre o discurso de participação popular e as prioridades orçamentárias. Se a tendência se confirmar, as ações geridas pelas comunidades representariam apenas 2,16% de todas as contratações, segundo os líderes. Poliana Souza reforçou que o programa precisa atender quem mais precisa, enfatizando o déficit habitacional estimado em mais de 8 milhões de famílias.
Ainda que o Ministério tenha sinalizado abertura para uma mesa de negociação após o tumulto, as lideranças cobram agenda direta com a Casa Civil e com a Secretaria de Relações Institucionais (SRI), apontando cortes recentes e a necessidade de ampliar recursos públicos para moradia popular.
Em síntese, o movimento por moradia intensifica a cobrança por políticas públicas mais ágeis e transparentes, com maior participação popular nos projetos habitacionais. O governo, por sua vez, enfatiza o orçamento disponível e a necessidade de alinhamento técnico para ampliar as contratações sem comprometer o equilíbrio fiscal.
Queremos saber: você acredita que os esforços atuais costumam atender as famílias de baixa renda ou que é preciso ampliar ainda mais o protagonismo das comunidades nesses programas habitacionais? Deixe sua opinião nos comentários.




