PF vê 2ª delação de Vorcaro “fraca” e vai se concentrar em outras frentes

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Resumo: a Polícia Federal avalia de forma crítica as duas delações premiadas apresentadas pela defesa de Daniel Vorcaro, dono do Master, e volta a concentrar esforços em depoimentos de outros investigados na Operação Compliance Zero, à medida que surgem novas informações sobre o esquema envolvendo o BRB e a Tirreno.

A primeira delação, coordenada pelo advogado José Luis Oliveira Lima, o Juca, foi rejeitada pelos investigadores por apresentar inconsistências e omitir episódios graves já descobertos pela PF, como a suspeita de mesada para o senador Ciro Nogueira (PP-PI).

A segunda delação, apresentada pela defesa na semana passada com liderança de Sérgio Leonardo no fim de maio, é mais aprofundada, mas ainda insuficiente para a investigação: carece de informações claras e de elementos que permitam avanço significativo para a apuração.

Entre as peças-chave apontadas pela PF, destaca-se Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB, preso preventivamente desde 16 de abril. Em decisão do STF, o ministro André Mendonça apontou Costa como uma “peça essencial” na compra de títulos podres do Master, supostamente remunerados com seis imóveis de alto padrão em São Paulo e Brasília, avaliados em 146 milhões. Em depoimento à PF, Costa disse ter cobrado Vorcaro por informações sobre a Tirreno; o Master utilizou a companhia em transações bilionárias com o BRB, levantando suspeitas de fraude e inexistência de crédito.

O ex-sócio do Master, Augusto Lima, também é visto como uma das peças-chave no esquema. Ele foi preso na primeira fase da operação em novembro do ano passado, mas, em seguida, teve a remoção da prisão, tornando-se alvo de investigação continuada.

Outros nomes presos na operação devem ajudar a PF a desmembrar o esquema, incluindo Fabiano Zettel (cunhado de Vorcaro), Henrique Vorcaro (pai do banqueiro), Felipe Cançado (primo de Vorcaro), Daniel Monteiro (advogado de Vorcaro), Anderson da Silva Lima (policial federal) e David Henrique Alves (especialista em tecnologia), descritos pela investigação como centros de atuação da suposta rede.

Sem delação

As duas propostas de delação premiada de Daniel Vorcaro foram consideradas frágeis e sem novidades pela PF. Há um consenso entre investigadores de que muito tempo passou desde o início do inquérito, o que dificultou o acesso a informações novas extraídas dos dados dos celulares apreendidos, mantendo Vorcaro em segundo plano na linha de apuração.

O caso envolvendo o Master ganhou maior ritmo com as descobertas da PF na fraude bilionária relacionada a Cartus, Tirreno e BR, levando a prisão de Vorcaro em 4 de março, na terceira fase da Operação Compliance Zero, que mira a venda de carteiras de créditos fraudulentas ao BRB.

O conjunto de informações ainda aponta para a necessidade de novos depoimentos e de dados adicionais para desatar completamente o novelo envolvendo o Master, Tirreno, Cartus e BR. A PF ressalta que avanços dependem da colaboração de investigados e da continuidade das apurações em curso.

Você acompanha esse caso? Deixe sua opinião nos comentários sobre o andamento das investigações e o papel das delações premiadas nesse tipo de operação.

A leitura completa do material disponível aponta dois extremos: a prática de delações premiadas pode ter seu valor quando há consistência e provas, mas, no caso do Master, as informações fornecidas até o momento não cumprem esse papel, mantendo a investigação em curso e com novos desdobramentos esperados.

Como você vê o papel das delações na elucidação de esquemas complexos envolvendo bancos e fraudes financeiras? Compartilhe seus pensamentos nos comentários e debata com outros leitores.

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