Goiânia vive uma nova fase de apuração sobre suposto pagamento de propina para liberação de alvarás temporários de funcionamento de atrações de entretenimento, como a Carreta Furacão e o Trenzinho da Alegria, entre 2017 e 2022. A Deccor abriu investigação que mira licenças para eventos na capital, envolvendo gestão municipal e o setor de entretenimento.
Ao todo, sete pessoas foram alvo de mandados de busca e apreensão, e outras cinco tiveram os sigilos bancário e fiscal quebrados por decisão judicial. Entre os investigados estão ex-secretários da Prefeitura de Goiânia e o vereador Luan Alves (MDB). A apuração aponta possível envolvimento de três secretarias municipais e da Amma, a Agência Municipal do Meio Ambiente.
Segundo a Polícia Civil, a investigação teve início após a denúncia de um empresário do setor de eventos, que relatou exigências de pagamentos em dinheiro, transferências, Pix, depósitos e até prestação de serviços gratuitos para viabilizar a aquisição das licenças. Além das licenças, os trabalhos apuram a atuação de um parque de diversões natalino e de uma praça de alimentação.
O empresário afirmou ter encerrado as atividades em Goiânia em 2021, por não suportar as cobranças, apontando prejuízo estimado em mais de R$ 400 mil. A investigação busca identificar a participação de todos os envolvidos e rastrear o destino dos valores supostamente pagos para obter as licenças necessárias.
Em nota, o vereador Luan Alves disse que não estava em casa no dia do cumprimento dos mandados e que desconhece o teor da apuração. Ele afirmou que nada foi encontrado em sua residência e que está à disposição para colaborar com as investigações e esclarecer o ocorrido.
Regras específicas para os chamados “trenzinhos da alegria” passaram a valer a partir de outubro de 2025, em Goiânia, conforme projeto de lei do vereador Geverson Abel. A legislação exige licença temporária emitida pela Amma, estabelece limite de velocidade de 40 km/h, determina a instalação de equipamentos de segurança nos veículos e proíbe a reprodução de músicas com conteúdo de baixo calão, além da venda e consumo de bebidas alcoólicas durante os passeios.
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