A Justiça Federal autorizou o bloqueio de quase R$ 500 milhões em bens ligados a uma organização criminosa do Comando Vermelho, desarticulada pela PF e pelo Gaeco/MPF na operação Red Fox. A ação mira o financiamento do tráfico internacional de armas e drogas, com quatro presos até o momento e novos mandados de prisão preventiva ativos.

A investigação aponta que os recursos movimentados pela rede abasteciam a facção com armamentos de uso restrito e drogas provenientes do exterior, principalmente para o Rio de Janeiro e outros estados. A operação contou com cooperação internacional para localização de suspeitos no Suriname, culminando na detenção de integrantes e posterior deportação para cumprir mandados no Brasil.
Entre os detidos está Arnaldo Ribeiro, apontado como operador financeiro e fornecedor de armas, que movimentou mais de R$ 150 milhões e mantinha contato direto com Edgard Alves Andrade, conhecido como Doca, uma das principais lideranças da facção, atualmente foragido.
De acordo com a PF, Arnaldo negociou a compra de dez fuzis AK-47 destinados ao braço do Comando Vermelho que atua na Região Norte do país. A mulher dele, Denise Mendonça, também foi presa. Ela é apontada como operadora financeira e logística da organização, com viagens frequentes ao Suriname em períodos compatíveis com movimentações suspeitas.
Outro operador financeiro da facção foi preso no Rio de Janeiro. Em Tabatinga (AM), na tríplice fronteira entre Brasil, Colômbia e Peru, a PF prendeu um homem responsável por uma empresa usada para movimentar recursos destinados à logística internacional do tráfico de armas e drogas.
Segundo a investigação, a organização utilizava empresas de fachada, contas bancárias de terceiros, depósitos fracionados, transferências via Pix e movimentações incompatíveis com a renda dos investigados para ocultar a origem do dinheiro e efetuar pagamentos a fornecedores nacionais e estrangeiros.
Além das quatro prisões já realizadas, outros nove mandados de prisão preventiva permanecem em aberto. A 5ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro também determinou o bloqueio, sequestro e indisponibilidade de bens, direitos e valores até o limite de quase R$ 500 milhões, medida que busca enfraquecer a estrutura financeira da organização e interromper suas atividades.
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