
A Time To Act lançou a campanha Saúde Mental Climática para estimular debates sobre os danos emocionais causados pela crise climática e cobrar uma política nacional, viabilizada pelo Projeto de Lei 6151/25. O PL propõe a criação de um Sistema Nacional de Saúde Mental Climática e de Centros de Resiliência, Cura e Reconstrução de Comunidades, conectando assistência social, saúde, educação e defesa civil para quem foi atingido por desastres climáticos.
O PL 6151/25, apresentado pelos deputados Pompeo de Mattos (PDT-RS) e Fernanda Melchionna (PSOL-RS), busca estruturar o atendimento a todos os grupos populacionais — de crianças a idosos, pessoas com deficiência e trabalhadores da rede pública — por meio de uma abordagem intersetorial, com ações de prevenção e divulgação científica.
Em entrevista à Agência Brasil, Luciana Brafman, fundadora da Time To Act, disse que ver famílias filipinas enfrentando traumas após enchentes de 2024 acendeu a vontade de articular ações. O filme Memória Radical, codirigido por Ricardo Carioba, ajudou a pavimentar a ideia, que ganhou força na COP30 e levou ativistas a reunir senadores e deputados gaúchos para levar o projeto adiante.
“Não adianta nada reconstruir uma região com uma comunidade inteira traumatizada”,
Para ela, a crise climática vitima grupos vulneráveis, como povos originários e moradores de periferias, e a resposta precisa ser coletiva, envolvendo profissionais de saúde mental, educação e assistência social para evitar que o trauma se transforme em ciclo de desestruturação.
Os centros de Resiliência, Cura e Reconstrução de Comunidades devem acompanhar todo o processo de recuperação, inclusive na identificação de traumas e na promoção de apoio psicológico. Na COP30, a UNICEF também reforçou orientações para acolhimento de crianças e adolescentes em trauma climático, destacando a importância da calma e do manejo apropriado das situações junto às famílias.
Desinformação e negacionismo aparecem como obstáculos. Pesquisas da FGV indicam que 44% dos brasileiros são céticos sobre a gravidade da crise climática, enquanto 12% atribuem as mudanças a causas naturais. Outros estudos mostram que o nível de confiança na ciência aumenta com o acesso a dados confiáveis e com políticas pró-clima que convoquem a participação social.
Além disso, a relação entre educação, igualdade de gênero e justiça social tende a reduzir o negacionismo. Pesquisas da Fiocruz indicam que fatores ideológicos pesam na percepção pública, sublinhando a necessidade de comunicação clara entre ciência e sociedade para ampliar o apoio a medidas preventivas e de adaptação.
O Intervozes, ao analisar a desinformação na Amazônia, aponta que discursos de rádio e ataques a ONGs frequentemente criminalizam ações públicas, dificultando a construção de respostas coletivas eficientes frente às mudanças climáticas.
E você, como vê a relação entre clima, saúde mental e políticas públicas na sua região? Compartilhe seus pensamentos e experiências para enriquecer o debate e ajudar a moldar soluções que cheguem a quem mais precisa.
