Polícia Federal contradiz a versão apresentada pelo senador Jaques Wagner (PT-BA) sobre o dinheiro encontrado em seu quarto de hotel em Brasília. Segundo apurações, não havia envelope do Senado no local onde foram apreendidos 55 mil dólares e 33 mil euros, ao contrário do que Wagner afirmou em entrevista publicada nesta semana.
A ação ocorreu em 18 de junho, dentro da 9ª etapa da Operação Compliance Zero, que investiga o caso envolvendo o Banco Master. Nas declarações públicas, Wagner manteve a explicação de que o dinheiro teria origem nas diárias recebidas pelo Senado para viagens oficiais ao exterior.
No entanto, há um descompasso financeiro. A apuração de Malu Gaspar, do Globo, mostra que o montante apreendido supera o total de diárias recebidas por Wagner em viagens ao exterior desde 2019, que somam 63 mil dólares e 1,4 mil euros. Mesmo que ele tivesse poupado tudo e não gastado nada, o dinheiro apreendido excederia esse total.
Na entrevista, o senador não apenas manteve a versão, como acrescentou uma acusação direta à PF, dizendo que “abriram o envelope do Senado onde estavam minhas diárias, colocaram na cama e fotografaram”. Fontes da corporação que acompanham a investigação e leram a entrevista negaram veementemente que isso tenha ocorrido.
A PF reiterou o andamento do inquérito sem comentar detalhes sigilosos, enquanto especialistas apontam versões conflitantes entre as informações apresentadas pelo senador e os dados contábeis apurados pela investigação. O caso segue rendendo desdobramentos sobre a origem do dinheiro e a natureza das diárias mencionadas.
Qual é a sua leitura sobre esse desencontro de versões? Compartilhe nos comentários suas opiniões sobre a evolução da investigação e o papel das diárias no debate público. Sua participação ajuda a entender os próximos desdobramentos do caso.
