Resumo rápido: a economista Daniella Marques Cosentino, ligada à pré-candidatura de Flávio Bolsonaro, aparece associada ao Banco Digimais em meio a investigações da Polícia Federal sobre a instituição, com foco em supostas práticas de crédito arriscadas e manobras contábeis que poderiam ocultar a deterioração da carteira de crédito.
Daniella integrou o Conselho de Administração do Digimais de fevereiro de 2024 a 8 de dezembro de 2025. O banco investiu cerca de R$ 600 milhões em carteiras de crédito vinculadas ao Banco Master, controlado por Daniel Vorcaro, conforme registros da Junta Comercial de São Paulo. A operação aponta para ligações entre ativos de alto risco e a gestão da instituição.
Em 23 de junho, a Polícia Federal realizou buscas na instituição; Edir Macedo teve o sigilo bancário e fiscal atingidos. Daniella Marques não foi mencionada como alvo da ação, que aponta que o Digimais adotava práticas de crédito de “origem duvidosa” e captação agressiva de recursos para sustentar operações.
Marques já ocupou o cargo de presidente da Caixa Econômica Federal na gestão de Jair Bolsonaro. Ela chegou ao banco público em 2022, após a saída de Pedro Guimarães, e havia trabalhado anteriormente com o então ministro da Economia, Paulo Guedes.
Em 2018, foi chamada pelo Ministério Público para depor na investigação Greenfield, que apurava condutas de Guedes na gestão de fundos de pensão; o caso foi arquivado pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região.
Este ano, Daniella deixou a Legend Capital para coordenar o programa econômico da pré-campanha de Flávio Bolsonaro, declarando que não pretende ocupar o Ministério da Fazenda ou da Economia caso o senador seja eleito e atue no governo.
A Polícia Federal aponta indícios de manipulação de mercado, afirmando que investigados teriam maquiado demonstrativos contábeis para ocultar a real situação financeira do Digimais e viabilizar operações irregulares. O relatório cita práticas semelhantes às do extinto Banco Master, com superavaliação de ativos e emissão de títulos com rentabilidade desproporcional aos indicadores de mercado.
Outra linha de preocupação envolve a controladora BA Empreendimentos e Participações S.A., cuja auditoria associada ao balanço mostra ativos subindo de R$ 785 milhões (2024) para R$ 1,8 bilhão (2025). Em 8 de dezembro de 2025, o Conselho de Administração do Digimais, já com Daniella no quadro, foi extinto, e no fim do ano a controladora adquiriu R$ 741 milhões em cotas do Hermon FIDC-NP, operação considerada fora das condições normais de mercado.
Em janeiro de 2025, Maurício Quadrado, ex-sócio do Banco Master, tentou fazer a aquisição do Digimais por meio da holding Bluebank, mas o Banco Central barrou a operação devido aos riscos envolvidos. A PF segue monitorando a instituição e aguardando esclarecimentos das partes envolvidas.
Opinião do leitor: a situação provoca reflexões sobre governança, ética e responsabilidade no setor financeiro. Deixe seu comentário com sua leitura sobre os impactos políticos e econômicos desse conjunto de acontecimentos.


