Ciro Nogueira vendeu fazenda para offshore representada por seu advogado

Publicado:

compartilhe esse conteúdo

Resumo: uma empresa ligada ao senador Ciro Nogueira vendeu uma fazenda de R$ 18,7 milhões no Piauí para uma offshore sediada nos Emirados Árabes, representada pelo advogado Gustavo Frazão—que também atua para o parlamentar e ocupa cargo na prefeitura de Teresina. A operação, objeto de investigações da Polícia Federal, aponta vínculos entre a transação, pagamentos e influência sobre pautas legislativas de interesse de um ex-banqueiro, além de ligações com outras transações no exterior.

KEBEC NOGUEIRA/ METRÓPOLES @kebecfotografo
Senador Ciro Nogueira e entrevistado no estúdio do portal Metropoles

De acordo com o jornal Folha de S.Paulo, a Fazendas Reunidas Nogueira Lima, pertencente ao senador, vendeu a fazenda de 2.410 hectares em Pedro II, ao norte do Piauí, à Arraf International, uma offshore registrada nos Emirados Árabes. A operação ocorreu em março de 2025, com a Arraf sendo representada pelo advogado Gustavo Frazão, que atua em mais de 20 processos para outra empresa ligada ao parlamentar e aparece como representante formal da offshore, sem revelar o verdadeiro proprietário.

A Arraf International tem endereço registrado em uma caixa postal na zona franca do aeroporto de Sharjah, região conhecida por regimes de sigilo fiscal. A escritura, datada de 27 de março de 2025, lista Frazão como representante. Além disso, o papel societário da Arraf indica possuir um único sócio, o que contrasta com as informações públicas sobre transparência na divulgação de dados corporativos da zona franca de Sharjah.

Na negociação, Raimundo Neto e Silva Nogueira Lima—irmão do senador—assina como representante da Fazendas Reunidas. O senador Ciro Nogueira, por meio de sua assessoria, disse que nem ele nem familiares são proprietários de empresas fora do Brasil, reforçando que qualquer relação com a operação não corresponde à realidade apresentada pela reportagem.

A cobertura da imprensa também aponta relações com Vorcaro. A CNLF Empreendimentos Imobiliários Ltda., identificada pela PF como intermediária de supostas vantagens econômicas indevidas, vendeu um apartamento de R$ 6,5 milhões no Jardim Paulista, em São Paulo, para a offshore Aliqum Participações, sediada nas Ilhas Virgens Britânicas. No Brasil, a Aliqum é representada por Carlos Santana, descrito como amigo do senador. As transações ocorreram em período próximo aos pagamentos que a PF atribui ao senador.

As investigações indicam que o senador recebeu recursos e outras vantagens do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, com pagamentos mensais que, somados, superariam R$ 6 milhões entre 2024 e 2025. Entre as supostas contrapartidas, estariam participação societária, custeio de viagens internacionais, voos em jatos particulares e hospedagens em hotéis de alto padrão, além do apoio a pautas favoráveis ao Banco Master no Senado, como a Emenda n° 11 à PEC 65/2023, conhecida como Emenda Master, redigida, segundo as investigações, pela assessoria jurídica do banco.

A PF sustenta que, ao lado das transações, havia uma estratégia de atuação política para favorecer interesses do Banco Master e de seu controlador. O caso completa-se com a defesa de que não houve envolvimento financeiro indevido, enquanto as investigações prosseguem para esclarecer a extensão dessas relações.

E você, qual o seu entendimento sobre esse conjunto de transações e influências? Compartilhe suas opiniões nos comentários e ajude a ampliar o debate com base nesses fatos apurados pelas autoridades.

Compartilhe esse artigo:

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

ARTIGOS RELACIONADOS

PM prende suspeito de disparar contra guarnições no Nordeste de Amaralina

Um dos suspeitos de atirar contra policiais militares no Complexo do Nordeste de Amaralina, em Salvador, foi...

Flávio Bolsonaro reafirma obediência ao pai na convenção do “Sem, sem”

PL lança candidatura de Flávio Bolsonaro em convenção em São Paulo; uso de deepfake e alianças com Milei e Netanyahu marcam ato Um candidato...