SpaceX vai construir gasoduto para abastecer foguetes Starship nos EUA

Publicado:

compartilhe esse conteúdo

SpaceX planeja, a partir de julho, erguer um gasoduto de 13 quilômetros para abastecer sua base de lançamentos em Starbase, Texas. Batizado de Starpipe, o pipeline deve entrar em operação até 26 de janeiro de 2027, de acordo com documentos da Texas Railroad Commission obtidos pela Reuters.

O objetivo é tornar o fornecimento de propelente mais ágil e previsível. Atualmente, cada lançamento do Starship consome cerca de 2,4 milhões de litros de metano líquido, recebidos por meio de centenas de caminhões-tanque que, segundo a empresa, é um gargalho para o ritmo desejado por Elon Musk, que mira dezenas, depois centenas e, no futuro, milhares de lançamentos anuais.

O Starship já realizou 12 lançamentos de teste desde 2023. Com o crescimento dos planos da SpaceX, o duto pretende suprir a demanda de combustível de forma contínua, reduzindo dependências logísticas externas e acelerando a cadeia de produção dos foguetes.

Além do Starpipe, a SpaceX vem ampliando seu envolvimento com infraestrutura de gás no Texas. Registros judiciais indicam mais de 100 contratos pagos de arrendamento de petróleo e gás com proprietários de terras no estado desde 2023. Em live na CNBC, em 12 de junho — dia do IPO da empresa — a presidente Gwynne Shotwell confirmou planos para construir gasodutos, processar seu próprio propelente e até perfurar gás natural próprio.

Especialistas ressaltam que, embora realizável, a proposta envolve desafios. “Não digo que seja impossível; há uma boa perspectiva, mas é preciso avançar com cautela”, disse um consultor do setor ao Reuters. O Starpipe também surge como alternativa caso a perfuração de gás própria não se confirme, servindo como peça de redundância na estratégia de controle da cadeia de suprimentos.

A lógica por trás do movimento é clara: ao assumir parte relevante da infraestrutura de energia, a SpaceX busca reduzir riscos e ampliar o poder de barganha na sua produção de propulsionantes. O duto tem diâmetro de 406 milímetros, suficiente para sustentar, segundo avaliações, até 25 lançamentos por ano, ritmo alinhado ao que a FAA já permitia para a operação em alguns regimes. Em inteiro horizonte, a empresa projeta um ecossistema maior, com satélites movidos a energia solar alimentados por tecnologia de IA — uma visão que, se realizada, aproximaria a produção de energia da escala de uma parcela significativa da rede elétrica norte-americana.

O Starpipe e os planos correlatos sinalizam uma mudança estratégica, levando a SpaceX a apostar em autonomia logística e em uma base de suprimento mais própria. Como isso impactará o ritmo de lançamentos e o desenvolvimento de novas tecnologias, apenas o tempo dirá. E você, o que acha que esse movimento significa para a indústria aeroespacial e para a cadeia de energia dos EUA?

Compartilhe esse artigo:

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

ARTIGOS RELACIONADOS

WhatsApp libera videochamadas no navegador e amplia recursos da Web

Resumo rápido: WhatsApp Web recebe chamadas de voz e vídeo diretamente pelo navegador, com criptografia de ponta a ponta. A atualização traz compartilhamento...

Conversa com IA pode aparecer no Google; entenda o caso

Resumo da matéria Centenas de diálogos do Claude, chatbot da Anthropic, ficaram acessíveis publicamente após serem indexados por mecanismos de busca. Texto exposto envolve...

Queda de foguete na Lua abre oportunidades e aponta alerta

O segundo estágio do foguete Falcon 9, da SpaceX, que permanece em órbita entre a Terra e a Lua, está previsto colidir com...